Vitória (ES), edição de fim de semana
 
'Pensamento oposicionista dos
Max é baseado na negação'

Votar bem é romper com o passado





Cristina Moura


"O que um homem deseja,
ele também imagina ser verdade".
(Demóstenes)


Confiante no projeto de reeleição do governador Paulo Hartung e se preparando para conseguir um lugar na Câmara dos Deputados, Lelo Coimbra admite: a família Mauro é o único pensamento oposicionista que se constrói no Estado, baseado muito mais na negação do que na afirmação.

O vice-governador e secretário de Estado da Educação se mostra tranqüilo, mas afirma que a queda da verticalização seria algo muito positivo para as alianças. Por enquanto, o grupo de Lelo, ou seja, do governador (agora os dois no PMDB), tem conversado com várias forças políticas.

Até mesmo com o presidente do PDT estadual, o ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal, que seria outro candidato ao governo, pela oposição, ele tem mantido diálogo. Nesta entrevista, Lelo analisa os entraves para as eleições do ano que vem. Também reforça seu objetivo de candidatar-se a deputado federal, mas não destaca os deputados estaduais envolvidos nessa trajetória. Ele acha que o governo Paulo Hartung recuperou a confiança dos cidadãos capixabas no seu futuro e por isso entende que em 2006 o eleitorado pode votar bem, rompendo com um passado de incertezas.

Século Diário: - Como o senhor já está enxergando os preparativos para as eleições 2006?

  
Foto: Apoena
  
Lelo: - Acho que as eleições de 2006 contam com um componente nacional importante, que são os problemas de Brasília. Este é um componente negativo, que vai ter que ser trabalhado... Ver que resultados ocorrerão desse processo da Câmara, como é que se desdobram. Também o governo federal, cuja repercussão na política é naturalmente presente, vai estar naquele momento. Como é que a sociedade vai estar se comportando frente a isso? Alguns institutos de pesquisa dão referência de que, em geral, nessa época, o sentimento de nulidade de voto se situava na faixa histórica de 14, 13 a 15 por cento. Nesse momento há uma posição se situando em torno de 24 a 25 por cento de expectativa de nulidade ou abstenção. Isso é resultado da crise nacional, resultado das dificuldades nacionais que, naturalmente, estarão presentes no debate das eleições do próximo ano.

Esse é um fato a ser considerado. É de uma conjuntura específica, envolvendo o tema corrupção, envolvendo o tema ética, envolvendo o tema gestão pública à luz desses dois temas. Uma outra variável que eu considero importante, nas próximas eleições, é a questão da verticalização. A verticalização, envolvendo a questão das coligações, faz com que os partidos, os modelos nacionais, estejam sendo ajustados, a exemplo da eleição passada, mas, embora isso do ponto de vista temático, do ponto de vista de prospecção de fortalecimento do partido seja positivo, na conjuntura de esfacelamento de siglas, de não referências partidárias muito claras. Isso é um inconveniente. A verticalização... que havia uma previsão de ela ser modificada até 30 de setembro, não foi em função da crise nacional, que não deu tempo de que a agenda da eleição do ano que vem conseguisse se instalar, numa eventual mudança de lei, e acho até que forças que não tinham interesse de que houvesse a mudança também trabalharam pelo aproveitamento das dificuldades, para que isso não fosse à pauta. Notadamente, é sabido que a verticalização derrubada ajudaria muito ao próprio presidente Lula.

- E aqui no Estado, qual é a sua avaliação até o momento?

- Aqui no Estado eu sempre achei que, embora a verticalização fortaleça as siglas partidárias, a história da política brasileira tem muito a ver com as regiões. O que acontece no Estado e nos municípios não tem rebatimento com o que acontece nacionalmente. Então, eu particularmente acho que a verticalização é um tema a ser relativizado, independente da crise. Ela só é um instrumento vigoroso, de fortalecimento, na medida em que as reformas político-eleitorais se instalem, onde os partidos tenham definições claras de procedimentos. Eu sou um defensor do sistema misto, distrital misto, onde essas questões todas façam parte de um arcabouço, onde também a verticalização faça. A verticalização encontra um instrumento individual, ela não ajuda a reorganizar a vida político-partidária do País, ela apenas cria um obstáculo a mais, para que a desorganização das forças políticas e as suas características regionais, em particular, estados e municípios, possam ter que se adaptar ou criar adaptações a ela. É tanto que daí muitas das chapas formadas na última eleição com o chamado 'camarão', ou o 'corpo sem cabeça', forma de driblar esse arcabouço que a verticalização se instala. Então, esses dois componentes, a crise nacional e a questão da verticalização, são componentes que, o primeiro negativo, o segundo um fato, apenas a servir como referência. No Estado, nós temos aí umas coisas que são positivas.

Primeiro, o reordenamento das questões públicas no Espírito Santo. O Estado viveu... ao longo da última década sofreu muito, uma desorganização muito importante da máquina pública, uma ausência de referência da função pública, numa confusão de público e privado muito vigorosa, e isso fez com que a sociedade se distanciasse muito da referência de governos. Nós sentimos agora, por exemplo, quando eu fui, há poucos dias, numa escola na Serra, e os adolescentes me perguntando por que é que as escolas municipais de Serra e de Vitória eram escolas de maior referência. E eu falava: a cidade de Vitória começou com Vítor Buaiz, Paulo Hartung, Luiz Paulo, Luiz Paulo, agora Coser... Já há uma história seqüencial e progressiva na estrutura pública, nos desenhos públicos na cidade de Vitória. A Serra também viveu sua experiência, oito anos lá com Sérgio Vidigal, mais agora no primeiro ano com Audifax numa mesma linha, onde os equipamentos públicos passam a ser: reforma um, se faz outro, você cria um novo momento. Então, o Espírito Santo passou, ao longo desses dois anos e dez meses que estamos vivendo, passou a ter um cenário positivo, para poder discutir com a sociedade que vale a pena votar bem e vale a pena votar numa proposição que consiga romper com o passado e construir cenários de futuro com ações importantes no presente, de maneira vigorosa. Então, eu vejo o cenário estadual positivo, com óbices no cenário federal a serem trabalhados de acordo com o desdobramento que aquela conjuntura nacional se dê. Já melhorou muito, está menos pior do que estava, mas do ponto de vista da confiança na política continua ruim. A política é uma área de muita sensibilidade, não é só estadual, ela é nacional, ela é mundial. A representação é um debate mundial, mas tem as nossas características brasileiras, os nossos problemas na política nacional, e a verticalização, um instrumento legal, da lei, a ser aferido e avaliado dentro do processo de conjuntura da organização das alianças e das coligações.

- Nesse cenário que o senhor colocou como positivo no Estado o governador Paulo Hartung será candidato à reeleição ou ao Senado?

  
Foto: Apoena
  
- A minha avaliação é que o governador Paulo Hartung é hoje a principal liderança capaz de aglutinar um amplo espectro de forças para fazer com mais vigor e intensidade o que tem sido feito ao longo desses dois anos e dez meses, que, com certeza, serão a marca dos quatro anos. Eu acho que a quebra de paradigmas no passado, para o presente e com perspectivas no futuro, sob a sua liderança foi muito vigorosa. E acredito que as possibilidades de Paulo Hartung não ser candidato à reeleição, na minha opinião, são muito remotas. Eu diria até mais. Acho que o governador Paulo Hartung acabou se tornando necessário no próprio processo que ele liderou, necessário a ser um condutor no processo na reeleição. Então, eu creio que a reeleição para ele é uma questão absolutamente... não digo obrigatória, mas com quase cem por cento de chance de ser o cenário exclusivo com o qual ele decida estabelecer, embora ele tenha opções outras, entre elas, em particular, o Senado.