Outra vez nos noticiários a gripe do frango assusta a todos. Já não chega a nossa gripe, a nossa dengue, a nossa pneumonia? Os mais radicais (ou mais medrosos) já aboliram os galináceos do cardápio, apesar das distâncias - por enquanto, só na China.
Mas se entramos numa dieta sem frango, o que vamos comer? Não há segurança no cardápio, e podemos ser atraiçoados pelo lombinho de porco com salmonela, pela salada temperada com agrotóxico, pelo peixe com mercúrio na moqueca. E saco vazio não pára em pé.
Tempos difíceis, tanto para pagar a comida como para encontrar algo que não nos mate ao invés de nos matar a fome. Na década de 60 a tecnologia revolucionou a agricultura, encontrando a solução para o grande problema da fome mundial. Os agrotóxicos permitiram o desenvolvimento e a expansão de imensas monoculturas, eliminando os insetos que destruíam as colheitas.
Não demorou para se descobrir que o tempero matava mais do que a comida. Os efeitos colaterais dos produtos provenientes das lavouras sofisticadas não demoraram a aparecer. Os insetos desenvolvem cada vez mais resistência aos inseticidas, enquanto os inseticidas contaminam os alimentos, a água, e o solo.
As grandes fazendas criaram monótonas monoculturas, substituindo os antigos sítios onde se plantava de tudo um pouco. Os preços dos produtos baixaram, mas a monocultura se mostrou mais vulnerável aos insetos e às mudanças climáticas que o aquecimento global nos impõe.
Mas já estão descobrindo soluções modernas, como a agrofloresta e a cultura mista. No passado, rodando por estradas ruins pelo interior, via plantações de milho misturadas com plantações de feijão, porque um melhorava o solo para o outro, no que agora chamam de cultura mista. Depois do milho colhido, o pé servia de suporte para o feijão se espalhar.
Também o cacau era plantado no meio da mata, não apenas porque as altas árvores protegiam do sol, como também porque retinham mais água no solo, no que agora chamam de agrofloresta. E se não voltamos ao passado, a preocupação do futuro é o agroterrorismo.
Com a monocultura, ficamos mais vulneráveis. Bastaria um microscópico organismo intruso para eliminar completamente um determinado produto. Mas se no futuro podemos vir a morrer de fome por escassez ou até falta de alimentos, morremos hoje pelo excesso, engolindo tudo que nos põem na mesa.
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