Vitória (ES), edição de 24 de outubro de 2005

Prefeito de Guarapari é inocentado
pela Câmara e mantido no cargo



Anderson Cacilhas
Foto capa: Arquivo Século Diário



O prefeito de Guarapari, Antonico Gottardo (PHS/foto), foi inocentado na tarde desta segunda-feira (24) pela Câmara Municipal de Guarapari, que rejeitou o relatório final da Comissão Processante (CP). Esta, após 180 dias de trabalho, pediu a cassação do prefeito e o apontou como responsável por um prejuízo de R$ 3,6 milhões aos cofres municipais.

São cinco as acusações que pesam contra o prefeito: irregularidades na contratação de empresa para prestar serviço no Pronto-Atendimento (PA) da cidade; negligência na guarda dos bens do almoxarifado da prefeitura; cobrança acima do permitido para a previdência dos funcionários públicos municipais; retenção do recolhimento desta cobrança e contratação de empresa em débito com a prefeitura para prestação de serviços.

As cinco acusações foram votadas separadamente. A única denúncia que poderia levar à cassação do prefeito seria a de negligência com os bens da prefeitura. As outras, se aprovadas, seriam encaminhadas para o Ministério Público. As irregularidades teriam causado prejuízo de R$ 3,6 milhões aos cofres do município.

A primeira votação, que poderia levar à cassação do prefeito, teve placar favorável ao prefeito por dez votos a um. Após este resultado, o relator da CP, vereador Ricardo Conde (PV), retirou-se do plenário e as outras votações tiveram placar de dez a zero a favor de Gottardo.

Segundo Ricardo Conde, é muito estranho que o placar tenha sido esse. "O resultado me causou estranheza, já que os próprios membros da Comissão que ajudaram a fazer e aprovar o relatório votaram contra. Agora, a minha obrigação é tirar cópias do relatório e enviar para o Ministério Público para que eles decidam se oferecem denúncia contra o prefeito", explicou o vereador.

Eram necessários oito votos para que cada item do relatório fosse aprovado. O voto foi secreto e sete vereadores se pronunciaram, mas nenhum deles deixou explícita a sua posição com relação à cassação. O clima da sessão foi tenso. O plenário da casa estava repleto de faixas e lotado de funcionários públicos, secretários da prefeitura e moradores que se dividiam entre favoráveis à cassação e ao prefeito.

Mesmo antes da sessão desta segunda-feira (24), o clima na cidade já girava em torno da situação política do município. No domingo (23), um carro de som circulava pela cidade convocando a população a comparecer à Câmara para pedir a cassação de Gottardo. Além disso, as ruas foram tomadas por uma onda de boatos que especulavam acerca da votação do relatório e da posição da Câmara frente ao processo.

Ainda segundo Ricardo Conde, Gottardo é citado em cerca de 12 ações do Ministério Público de Guarapari. Além disso, o Ministério Público Estadual protocolou denúncia questionando a dispensa de licitação na contratação da Fundação Universitária de Pesquisas Econômicas e Sociais de Vila Velha (Fupes) no valor de R$ 170 mil.

Em reportagem de "A Tribuna" deste domingo (23), Gottardo se defendeu e disse estar tranqüilo. "Não há nenhuma denúncia. Não estou sabendo de nada", argumentou o prefeito.