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Foto: Divulgação
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Segura por duas garrafas de cerveja long neck e uma de água mineral, escorre sobre uma caixa de som no palco da arena do Anhembi, em São Paulo, uma pequena bandeira do Brasil. A apologia mostra a dedicação da banda norte-americana The Strokes ao público brasileiro na curta temporada de apresentações pelo país.
Passadas uma hora e quinze minutos, ouve-se o último acorde de "Reptilla" e o baterista Fabrizio Moretti caminha até a frente do palco para agradecer os irmãos brasileiros. Os fãs deliram e assim, como num orgasmo, banda e público encerram uma noite repleta de angústia, cumplicidade e sensualidade.
Angústia que teve início pontualmente às 19h, com Mundo Livre SA e fez esfriar a rapper M.I.A.. Por volta das 21h, havia ainda dois obstáculos a serem superados, mas o objetivo deste relato não é analisar os shows de Arcade Fire e Kings of Leon. Digo que este foi uma pedra no caminho, enquanto o grupo canadense fez o segundo melhor show do reduzido festival.
À meia-noite, de modo displicente, sem imaginar (talvez apenas imaginando) a libido que exala da parte baixa da Arena, os cinco caras de Nova York sobem ao palco. Empolgam na primeira canção e o público se oferece, com movimentos, gritos e espasmos de um amante em êxtase.
A iluminação adicional instalada imediatamente atrás da banda, com mais de 16 refletores adicionais de luz branca e amarela, embebeda o público e dá o tom de mega evento à apresentação. Em contra-luz, Julian Casablanca segura o microfone como quem toma nos braços a garota desejada e tenta esfriar o corpo com copos de água derramados na cabeça e no peito. Posa e não se cansa de declarar amor ao público. Fabrizio está concentrado em seu dever e não percebe os gritos da platéia; ele que dias antes admitiu estar ansioso pelos shows no Brasil, sua terra natal. Julian, cansado após duas noites intensas no Rio de Janeiro, conversa com a platéia, diz para não se preocuparem com ele, apresenta as novas músicas e pede ajuda para cantar o bis.
A banda satisfaz os desejos dos fãs e toca todas as canções de "Is this it?", disco que revolucionou o rock no início do novo milênio, mais quatro músicas do segundo disco, "Room on Fire", e três novas, entre elas a dançante "Juicebox". Strokes novo ainda é Strokes, ainda que o som seja mais trabalhado e deixe claro a evolução desde as onze faixas do primeiro disco.
Com a pancada sonora e visual de Reptilla, em que todos os refletores estão direcionados aos olhos da multidão, The Strokes supera a expectativa que começou a ser criada em 2001 e tem seu ápice nestas apresentações pelo Brasil, quatro anos depois.
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