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Foto: Divulgação
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| O jornalista Amylton de Almeida
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Dez anos após sua morte, Amylton de Almeida permanece intocável entre os maiores jornalistas culturais do Estado. Com independência e um estilo irônico, deixou marcas em todas as áreas onde atuou. Esta semana, a jornalista Jeanne Bilich lança um livro em sua homenagem, com autoridade de quem desfrutou de uma amizade de trinta anos.
A obra, "As Múltiplas Trincheiras de Amylton de Almeida: O Cinema como Mundo, a Arte como Universo", surgiu a partir da dissertação de mestrado em História Política que a autora concluiu este ano na Ufes, adaptada para se tornar o livro. Mais do que a biografia de Amylton de Almeida, Jeanne fala de toda uma geração que ele representou e a conjuntura política e cultural deste período no Espírito Santo, no Brasil e no mundo.
O livro foi dividido em três capítulos. O primeiro, "Os anos 80 no recém findo século XX: plano geral", traça um panorama cultural e político do que aconteceu no século XX no Brasil e no mundo. O período histórico abordado vai de 1968, das revoluções em Paris, até 1989, ano da queda do Muro de Berlim. Nesse contexto, estão presentes os movimentos de contracultura, os reflexos da ruptura do modelo de viver entre as gerações, que aconteceu no pós-guerra, a resistência popular no Brasil e em outros países da América Latina contra a ditadura.
No segundo capítulo, intitulado "O Espírito Santo nos anos 80: plano seqüência", a autora fala sobre os reflexos desses acontecimentos no Estado, também sob as vertentes políticas e culturais. As manifestações de rua, o sindicalismo, os movimentos de emancipação feminina, movimentos de bairro, são alguns dos fatos descritos. "O fim dos anos 60 e início dos 70 foi um período de grande efervescência cultural no Espírito Santo", diz Jeanne.
É na última parte que surge Amylton de Almeida. "Eu o escolhi para representar esse período. Amylton foi uma figura emblemática de seu tempo. Um intelectual orgânico, como descreve Antonio Gramsci, que é aquele que não se limita a ficar só pensando, ter um olhar crítico sobre o mundo e ficar parado. Ele pensa e age. Tinha o poder de encher e esvaziar o cinema ou o teatro de acordo com a crítica que fazia. Por isso era e é até hoje amado e odiado", explica Jeanne.
Dor e prazer
A principal dificuldade encontrada por Jeanne na produção do livro foi a escassez de bibliografia sobre o Estado no período escolhido. Para suprir essa falta, foram feitas entrevistas com mais de vinte pessoas. O resultado, conforme a própria autora explica, foi uma biografia coral, em que se capta o maior número de eus. Na obra, as múltiplas facetas de Amylton de Almeida.
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Foto: Divulgação
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| Bilich e Almeida
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Além do lançamento do livro "As Múltiplas Trincheiras de Amylton de Almeida: O Cinema como Mundo, a Arte como Universo", também serão prestadas outras homenagens a Amylton de Almeida, que no último dia 11 completou dez anos de morte. Anastácia Lopes vai cantar a ária predileta de Amylton, "Carta Diva"; Jace Teodoro vai declamar poesias e vai ser feita também uma exposição com objetos pessoais de Amylton de Almeida.
Também serão exibidos os documentários "São Sebastião dos Boêmios", "Pomeranos", "Lugar de Toda Pobreza", "Incêndio nas Mentes" e "Lugar de Toda Pobreza - 20 anos depois".
O lançamento do livro "As Múltiplas Trincheiras de Amylton de Almeida: O Cinema como Mundo, a Arte como Universo", de Jeanne Bilich, acontece nesta quinta-feira (27), às 19 h, no Centro Cultural GSA, Rua Pedro Bottti, 81, Consolação, Vitória. A entrada franca e toda a renda da venda do livro será repassada para um asilo.
Amylton de Almeida
Amylton de Almeida foi um dos expoentes da geração da década de 1960. Nascido em 1946 em Afonso Cláudio, no interior do Estado, desde 1965 ele começou a com uma produção cultural forte. Em 1969 entrou para o jornal O Diário, depois passou para o Jornal da Cidade, até chegar ao Caderno 2, de A Gazeta, onde ficaria até 1995, ano de sua precoce morte.
Deixou uma vasta produção artística. Só de documentário, foram oito sobre o Espírito Santo: "Os Pomeranos", "O Ultimo Quilombo", "São Sebastião dos Boêmios", "O lugar de toda pobreza", "Nasce uma cidade", "Piúma conchas", "Incêndio nas mentes" e "O cupido no ar". Este último deu origem ao seu longa "O amor está no ar", lançado dois anos depois de sua morte. A crítica social, a denúncia, foram sempre ingredientes presentes em suas produções.
Na literatura deixou também várias produções, como "Autobiografia de Hermínia Maria" e os romances "Blissful Agony" e "A passagem do século". Para o teatro fez peças como o drama "Mamãe desce ao inferno" e a comédia "Tem xiririca na bixanxa", em parceria com Milson Henriques e Marcos Alencar. Em 1985 apresentou, no Teatro Carlos Gomes, o espetáculo "A noite das longas facas duas partes", que fazia parte de um livro de mesmo nome dividido em três partes.
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