"Na adversidade conhecemos os recursos
de que dispomos"
(Horácio)
O governador Paulo Hartung (PMDB) não passaria de uma abstração. Também seria associado a uma entidade, uma ficção, uma pessoa fora da realidade. Estaria longe dos problemas sociais. Com essas idéias, o prefeito de Vila Velha, Max Filho (PDT), constrói o seu discurso oposicionista e se dispõe a enfrentar o governador na eleição de 2006, desde que venha a ser convocado para isso pelo conjunto de forças que se opõem ao atual governo. Seu propósito, em princípio, é concluir o mandato de prefeito de Vila Velha, mas um trecho do Hino Nacional o inspira e ele dispara: "Verás que um filho teu não foge à luta".
Para ele, não faltam argumentos à sociedade capixaba para enxergar que o governador atual pelo menos "é um pouco melhor" do que o seu antecessor, José Ignácio Ferreira. Nesta entrevista, o pedetista solta sua verve opositora, isto é, contrária ao modelo que já completa quase três anos de mandato e que a maioria da população entende como bem cotado a um projeto de reeleição.
Até o momento, seriam Max Filho e seu pai, o ex-governador Max Mauro (PDT), os nomes mais prováveis para uma disputa de oposição. Do próprio partido, o presidente da legenda, o ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal, também seria uma alternativa. Porém, o vice-governador Lelo Coimbra (PMDB) disse que não é bem assim, que alguns diálogos estão ocorrendo com o ex-prefeito da Serra.
Seria Vidigal o mais novo nome aliado a Hartung? Max Filho diz que não, que não acredita que haja deslealdade com os companheiros de partido. Em outra ala de oposição, o PT também estaria construindo sua candidatura, com o deputado Cláudio Vereza no topo das articulações. Uma aliança entre PDT, PT, PP e PSB não está descartada, segundo o prefeito de Vila Velha. A fórmula das eleições municipais na Grande Vitória teria quase tudo para se repetir em 2006.
Século Diário: - Há alguns comentários que circulam pelos bastidores da política. Indicam que, caso o senhor ou o seu pai (o ex-governador Max Mauro-PDT) não saiam candidatos pela oposição, o governador Paulo Hartung será o candidato único. Qual sua avaliação sobre isso?
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Foto: Apoena
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Max Filho: - Eu não acredito nisso. Acho que o Espírito Santo é um estado que avançou. Não é um estado que viva num atraso em termos políticos, apesar de alguns atrasados, daquela velha mentalidade dominante, aquela velha mentalidade de ditadura, de autoritarismo... Mesmo com alguns atrasados, a ocuparem até posições de destaque na vida política do Estado, o Espírito Santo não é. O Espírito Santo é um estado que avançou, que se modernizou, um estado que se democratizou, e estão enganados aqueles que tenham a presunção de que o Espírito Santo não seja um estado democrático.
- Mas já é certo que um ou outro sairá candidato pela oposição?
- Olha, eu assumi a prefeitura de Vila Velha há dez meses. Eu penso em cumprir o meu mandato. Tenho mais de três anos de mandato pela frente como prefeito de Vila Velha e, de fato, para uma saída minha da prefeitura, só se fosse, realmente, com um projeto de disputar o governo do Estado e que um conjunto de forças de oposição viesse me convocar para esse fim. Do contrário, tenho um compromisso com o povo de Vila Velha e governar a cidade, sendo que, para ser candidato a qualquer cargo na eleição do ano que vem, eu tenho que sair da prefeitura com um ano e três meses de mandato... mas, como diz o nosso hino, um filho seu não foge à luta. O Espírito Santo tem filhos que não fogem à luta... se esse papel estiver reservado a mim pelo destino, a gente vai ter que ter um diálogo franco, aberto e direto com o conjunto da sociedade vilavelhense a respeito desse gesto. E é um processo. Eu posso dizer: hoje não penso em termos disso. Os partidos têm uma dinâmica própria, a menos que o meu partido venha me convocar e, se for uma missão importante para o povo capixaba, onde se inclui o povo vilavelhense.
- Com relação ao seu partido, há outro nome, o do presidente do partido e ex-prefeito da Serra, Sérgio Vidigal, que também poderia se lançar como candidato a governador. Mas há também comentários que sinalizam uma conversa, uma espécie de entendimento entre ele e o atual governo.
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Foto: Apoena
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- Olha, eu não acredito nisso. Acho que o ex-prefeito Vidigal, presidente de um partido de oposição, o partido que em sua convenção estadual deliberou por pedir intervenção federal no Estado do Espírito Santo... Eu acho que ele vai ter a grandeza de ter a lealdade com seus companheiros e com o conjunto dos seus liderados, que integram o PDT em todo o Espírito Santo. Ele não vai ceder ao canto da sereia porque ele tem um compromisso com a base do partido. Quero crer eu.