Caros leitores, sejam bem vindos a esse espaço cujos passos seguirão apenas aquilo que soar bem aos ouvidos e que para alma faça algum sentido. A casa é nossa, entrem e fique à vontade. Aliás, se não for pedir muito, me ajudem a mantê-la arrumada. Vamos surpreender as visitas que chegam sem avisar.
Inicialmente, pensei em fazer uma apresentação beirando a formalidade, mas não sou muito adepto a formalidades, sou informal e quero ser informacional. [*Forcei a barra? Vou segurar mais a onda... *] Então o tom adotado aqui terá essa característica básica em nome do "prazer" na leitura. Simples e tranqüilo. Não escreverei verdades absolutas * elas sequer existem *, apenas emitirei minha opinião e espero que muitos concordem ou discordem ou as duas coisas. Estarei aberto ao diálogo, vamos trocar idéias por email, expor e aprofundar nossos pontos de vista sempre que for necessário.
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A galera que tem banda, e está na luta para divulgar o trabalho, também deve entrar em contato e, na medida do possível, vamos abrindo espaço aqui. Finalizando esse papo introdutório, devo dizer que batuco nessas teclas diretamente do Rio de Janeiro e essa é minha segunda experiência na imprensa capixaba. É ótimo estar de volta, agora vamos ver no que vai dar.
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Foto: Divulgação
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As frases que iniciam esse texto, abrem também recém lançado "Letra & Música" do - agora mais que nunca - "popstar" Lulu Santos. São os primeiros versos de "Gambiarra", um rock de levada irresistível - segundo o próprio compositor, remete aos Rolling Stones - que, de cara, mostra o rumo que o novo trabalho vai tomar. É o reencontro do mestre com a guitarra, e [*como se precisasse *] prova disso é um discreto Jimi Hendrix incidental ao fim da primeira faixa. Em seguida, vem "Roleta", mantendo o ritmo no 10 e com uma letra que em certos momentos se confronta ou se opõe à "Tempos Modernos" como nos versos "Hoje acordei duvidando/ Que o futuro vai mesmo nos endireitar/ Porque no duro, no duro/ Depende de hoje o que a gente faz...".
Há referências eletrônicas em boa parte do disco, com destaque para a exaltação/lamento à cidade do Rio de Janeiro na canção "Zerodoisum", mas a essência é o rock. [* Será que devo comentar que não paro de ouvir a bolachinha há mais de duas semanas? *] As letras e músicas estão em grande forma, todas descem redondinhas, há grande sacadas como, por exemplo, em "Din Don" carregada de duplos sentidos - "...deito na areia, na tua toalha/ É o jeito de esquecer a batalha/ Vem queimar comigo e esquece o perigo/ O crime e o castigo/ Da onda..." -, em "Letra e Música" que descreve como funciona o processo de composição de uma canção, ou ainda a saborosa estória de "Sinhá e Eu", uma das faixas em que ele aborda o tema "relacionamentos", e serve como uma espécie de homenagem ao seu duradouro casamento.
Lulu reafirma - após ter "recriado" suas próprias músicas para o projeto "MTV - Ao Vivo" - a alta qualidade de suas releituras para obras alheias. São duas, a que rola nas rádios, "Pop Star" dos Miquinhos Amestrados * que na verdade não tem agradado a todos, eu gostei * e "Ele Falava Nisso Todo Dia", do Gilberto Gil, lançada há quase 40 anos, parece ter sido composta mês passado. Ela veio tensa, irônica, distorcida tanto de sua "visão original" quanto em suas guitarras imprimindo peso do início ao fim. A última faixa traz um curioso blues instrumental, levado na guitarra em tom de improviso, como quem vai à raiz para apontar o futuro.
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Vamos emendar no show?
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A estréia se deu no Claro Hall (RJ) e teve espaço para 9 canções do álbum "Letra e Música". A maior parte do público parecia estar ouvindo as músicas novas pela primeira vez [* até porque a "nova" que foi para as rádios é mais velha que boa parte da galera presente naquela noite *] e mesmo assim a resposta foi muito boa para cada uma delas. O set list e arranjos tiveram poucas alterações se compararmos à turnê anterior, então fora as novidades - como "Gambiarra" e "Roleta" que abriram o show -, Lulu promoveu o já habitual desfile de "hits" que "todo mundo sabe cantar" - e canta.
Seqüências como Toda Forma de Amor/Um Certo Alguém/O Último Romântico ou Aviso Aos Navegantes/Tudo Igual/Já É/Assim Caminha A Humanidade facilmente já fazem valer o ingresso. Uma formação enxuta no palco [* a banda é excelente *], guitarra-baixo-bateria-teclado/loops/seqüências, e Mr. Santos tomando conta de cada centímetro do pedaço com suas performances [* às vezes um pouco exageradas, mesmo assim ele está no controle *]. O único "porém" da noite, foram as mesas colocadas entre o palco e a área destinada à pista. Tipo, o "clima" fica meio quebrado, há um distanciamento imposto ao público mais "animado" e isso não funciona bem.
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Estou dando uma revisada no texto acima em clima de TIM Festival. Por razões que a própria razão desconhece, vou a apenas uma noite ao evento. Kings of Leon é minha favorita entre as atrações desse ano. Fiquei muito chateado com a vinda do Jamie Lidell para tocar justamente no horário em que estarei provavelmente assistindo Strokes. Lidell é "coisa fina", o branco mais negro de que tive notícias nos últimos tempos. O "soul/funk man" contemporâneo, influenciado por artistas como James Brown, Prince e Parliament Funkadelic e que classifica sua sonoridade como "exciting music". Depois de algumas experiências mais voltadas para música eletrônica, em seu último, e muito elogiado, trabalho (Multiply, 2005), ele canta, toca vários instrumento e produz - além de compor - algo completamente mergulhado no universo "black music". Li em uma entrevista a seguinte frase: "Quem está me ouvindo leva só 20 segundos para chegar em outro lugar!" Esse é da melhor qualidade. [* Que onda hein... *]
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Essa coluna terá seu lado de "metamorfose ambulante" em suas primeiras edições. Parece que não, mas são vários pequenos detalhes e um mundo de possibilidades que surgem durante o ato de escrever, então nesse exato momento não sei se abro um espaço para uma "discoteca básica" ou de repente dou apenas uma dica legal de algo que eu esteja ouvindo. [* Ora bolas, pense!... *] Ah, vamos fazer nossa discoteca. Peço ajuda aos que tenham sugestões para esse espaço, se ninguém colaborar vou escrever só sobre o que eu quiser. Não quero ninguém reclamando do meu [* bom? *] gosto se às vezes soar tosco.
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Se der, tenha esse cd:
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Foto: Divulgação
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"As Quatro Estações" - Legião Urbana (1989)
Esse é um divisor de águas na trajetória da mais importante banda surgida no cenário nacional. Aqui a Legião se torna um trio e Renato Russo reassume o baixo (além de tocar violões, teclados, gaita...). "As Quatro Estações" é o último trabalho antes do cantor saber que é portador do HIV e curiosamente é o primeiro momento em que ele abre uma brecha do seu mundo particular em suas letras, deixa de lado o "discurso politizado" e aborda questões pessoais.
Trata-se de um disco espiritualizado, temperado por Buda, Camões, Tão-Te-King, santos diversos e a intensa reflexão da banda sobre a tragédia ocorrida no ano anterior durante um show em Brasília. Onze canções cujo tema principal é o "amor", nove delas tocaram - exaustivamente - nas rádios e ainda tocam - menos, é claro - até os dias de hoje. O primeiro verso que se ouve "Parece cocaína mas é só tristeza..." é uma porrada para os desavisados e um desabafo sereno de quem estava redefinindo caminhos a seguir. A música é "Há Tempos". Não tem refrão, sua letra não é simples e mesmo assim ficou no topo das paradas por muito tempo. O disco traz ainda clássicos como "Pais e Filhos", "Monte Castelo", "Quando o Sol Bater na Janela do Teu Quarto" e "Meninos e Meninas". [* Ouça no volume máximo! *]
E-mails para o colunista: cadernoa@seculodiario.com
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