Presença insustentável




Os malefícios do plantio de eucaliptos e sua conseqüente industrialização no Estado ganham ressonância internacional. São consideradas atividades insustentáveis em artigo publicado na edição 99, de outubro de 2005, do Boletim do World Rainforest Movement (WRM). O texto está disponível em português, francês, espanhol e inglês.

Assina o texto o inglês radicado na Alemanha Chris Lang, que participou do Seminário Internacional Sobre Eucalipto e Seus Impactos, promovido pela Assembléia Legislativa no Espírito Santo, em 2001.

Chris Lang não usa meias palavras: denuncia a empresa como usurpadora de terras indígenas e responsável por outros fatos altamente comprometores, como, por exemplo, o desvio do Rio Doce apenas para atender à demanda das fábricas da multinacional.

Leiam estas palavras do articulista e reflitam sobre o que ele diz: "A fim de abrir caminho para suas plantações, a Aracruz destruiu mais de 50.000 hectares de Mata Atlântica. Os tratores em pares unidos com uma corrente se introduziram através da floresta, destruindo tudo o que aparecia no caminho. Os animais foram esmagados pelas árvores derrubadas ou pela maquinaria. A Aracruz foi multada pelo Ibama, o órgão brasileiro de proteção ambiental por plantar em áreas protegidas".

Não são observações de ambientalistas capixabas ou jornalistas que defendem a terra capixaba das agressões da empresa. São de um observador eqüidistante dos problemas locais, mas preocupado com o que testemunhou em sua passagem pelo Espírito Santo.

Este outro ponto do seu artigo é igualmente revelador:: "Eu vi a maciça e fedorenta planta de celulose. Eu ouvi como a companhia despejava sua água residual pela noite".

Lang rememora o que os capixabas têm sofrido com a presença da Aracruz no Estado: grandes impactos sociais e ambientais. Que, ele ressalta, não acontecem apenas aqui, mas também em outros países emergentes da Ásia, África e América Latina.

O título do artigo diz tudo: "Brasil: Aracruz - sustentabilidade ou negócios como de costume?"

Nesta edição, Século Diário reproduz a íntegra do artigo. Vale a pena conferir, pois trata-se de um libelo contra as agressões ambientais e sociais praticadas pela Aracruz desde que, abençoada pela ditadura militar, ela aqui se instalou.