Vitória (ES), edição de 31 de outubro de 2005

CPI do Grampo faz acareação
entre major e PM nesta terça



Ednalva Andrade
Foto capa: Bernardo Coutinho



Na sessão da CPI do Grampo desta terça-feira (1), três testemunhas serão ouvidas. Duas delas, o major da Polícia Militar Edmilson dos Santos e o policial militar Rogério dos Santos Pinto, já prestaram depoimento à CPI e passarão por uma acareação, solicitada pelo relator da Comissão, deputado Euclério Sampaio (PDT), na tentativa de explicar as contradições de seus depoimentos.

Além desses dois militares, a CPI do Grampo, criada para apurar a existência de escutas irregulares, ilegais e clandestinas e de operação de aparelhos clandestinos que interceptam ligações telefônicas no Estado, ouvirá o major da PM José Henrique Farias.

A reunião começou às 11 horas e a intenção dos membros da CPI é verificar as informações prestadas pelo policial Rogério Pinto, que afirmou ter viajado a São Paulo em companhia do major Edmilson, a quem teria entregado um relatório sobre o levantamento de equipamentos de interceptação telefônica.

Entre esses aparelhos, estaria o da empresa Wytron Technology Corporation, que Rogério Pinto informou à CPI ter buscado informações sobre o seu funcionamento a pedido do major Edmilson por solicitação dos promotores do Grupo de Repressão ao Crime Organizado (GRCO). Ele afirmou, inclusive, que teria solicitado orçamento do equipamento, mas não soube dizer se foi efetuada a compra do aparelho pelo Ministério Público Estadual (MPE).

No depoimento prestado na última terça (25), o major Edmilson, que era o chefe da assessoria militar do MPE, admitiu ter viajado a uma feira de informática realizada em São Paulo junto com Rogério. No entanto, ele negou que tenha solicitado qualquer relatório sobre o funcionamento dos aparelhos de interceptação da Wryton.

Na tentativa de confirmar se o MPE possui algum equipamento de escuta ou interceptação telefônica, na última quarta-feira (26), o ex-coordenador do GRCO Gilberto Toscano foi ouvido pela Comissão. Ele negou a existência desse tipo de aparelho no órgão.

O atual coordenador do GRCO, o promotor Marcelo Lemos, também foi convocado para depor à CPI do Grampo. A data e o local do depoimento ainda não foram divulgados pela Comissão. Conforme o relator afirmou na sessão do dia 25 de outubro, a intenção é ouvi-lo para esclarecer logo a questão do Ministério Público e então poder tirar o foco das investigações do órgão.

A CPI do Grampo tem como integrantes os deputados Rudinho de Souza (PSDB), presidente; Cabo Élson (PDT), vice-presidente; e Euclério Sampaio (PDT), relator. Os outros dois membros efetivos que completam a Comissão são os deputados Robson Vaillant (PL) e Zé Ramos (PFL).

CPI dos Combustíveis

A CPI dos Combustíveis se reúne nesta terça-feira (1), a partir das 9h, para ouvir mais dois depoimentos. Devem depor à aomissão a servidora da Secretaria Estadual da Fazenda Mônica de Araújo Saldanha e o técnico da Agência Nacional de Petróleo Jefferson José Oliveira da Silva.

A comissão apura possíveis irregularidades na importação e comércio de combustíveis no Estado do Espírito Santo e é formada pelos deputados Euclério Sampaio (PDT), presidente; Cabo Elson (PDT), vice-presidente; Marcos Gazzani (PTB) e José Tasso (PFL).