Vitória (ES), edição de 31 de outubro de 2005

Acidente mata mais um na Vale e Sindimetal vai
pressionar empresas para impedir novos acidentes



Paulo Rogério


O eletricista Eduardo Nazareno, 23 anos, falecido após descarga elétrica na subestação da Usina 3 da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), foi a gota d'água para a entidade que representa a categoria desencadear uma série de ações preventivas. O Sindicato dos Trabalhadores em Metalurgia (Sindimetal) reuniu a diretoria nesta segunda-feira (31) para discutir formas de pressionar a Vale e outras empresas a adotadorem medidas contra novos acidentes de trabalho.

Entre as várias propostas estão o encaminhamento de ofício à Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CMN), levantamento de novos dados técnicos quanto às condições de saúde dos trabalhadores, amplas discussões com autoridades públicas e direção regional das grande empresas e inclusive paralisações. Até o fechamento desta edição nenhuma decisão fora comunicada. O novo acidente fatal ocorreu por volta das 16h deste domingo (30), quando Eduardo Nazareno realizava um trabalho de manutenção.

Eduardo Nazareno trabalhou por três anos na Mecânica e Montagem Industrial (MMI). O eletricista foi socorrido e encaminhado ao Vitória Apart Hospital, Carapina, Serra, mas não resistiu aos ferimentos. Seu corpo foi levado para o Departamento Médico Legal (DML), em Vitória.

Há expectativa de que o enterro ocorra ainda nesta tarde. Enquanto isso, uma equipe de inspetores da Delegacia Regional do Trabalho (DRT) já apura as causas do acidente. Sindicalistas, a empreiteira e familiares esperam por um primeiro posicionamento do órgão logo após esta primeira etapa, durante a tarde desta segunda (31).

Perícia lenta

O titular da Delegacia de Crimes Contra a Vida, da DHPP, delegado Aéliston Santos de Azevedo, informou nesta segunda-feira (31) que ainda não foi concluído o laudo sobre outro acidente fatal, também na CVRD, envolvendo três trabalhadores. "Nem tenho previsão de quando o trabalho da perícia terminará", disse.

No último dia 13 de agosto o encarregado de produção Célio Roberto Silva Souza, 28, e os operadores de produção Jair Almeida da Silva, 39, e José Almeida, 43, morreram após o descarrilamento de doze vagões carregados de calcário que caíram sobre eles - os operários faziam a descarga de calcário no pátio de Tubarão. Três dias depois o delegado abriu inquérito para apurar as causas da tragédia.

Os terceirizados trabalhavam há mais de um ano para a empresa Busato Transportes e Locações Ltda, empreiteira da CVRD que presta serviços de manuseio e transporte de insumos.