Lino Machado:



QUATRO CADÊNCIAS

AO LADO DE UMA CADEIRA

Transes,
transas, transações,
dramas, tramas, intrigas,
boas intenções,
intenções suicidas
podem habitar cada andar
deste prédio
recém-construído.

Este prédio
com seu desenho tão nítido,
tão puro,
que algum dia será
a prova de uma era
para a pré-história
dos arqueólogos futuros.

Talvez
(tenho fé)
eles até descubram
entre as ruínas deste prédio
minha caveira
ao lado de uma cadeira
sorrindo.

==

EM ALGUM VERSO

... mas vamos aos fatos.
Já nasci sem status.

Vim cair aqui,
looonnnge de um rubi.

De amantes? Não falo.
Algumas - que estalos!

Uma grande amiga,
amigos de briga

(um pouco distantes),
livros perto, estantes

são minha bagagem.
Beleza ou bobagem?

Quando não converso,
penso: "Em algum verso

de um outro, alguém
vive assim também".

Ao que dói demais
digo: - Vai mal, mas...

==

PER BOA FÉ

Para a M.

Minha amante
às vezes
muito indigesta
não sai
porém
da minha testa.

Não sei de nós
quem mais
- ou menos -
presta,
se ela mente
ou se
tão-só
eu
(... com toda a licença,
aqui
fico bem reticente)

mas, como ontem,
hoje,
enfim durante,
de agora não é
que minha amante é
a minha amante,
amém

e até -.

==

PERNAS: UMAS OU OUTRAS

Cara,
evita
aquele tira,
depois dobra
a esquina - e pára:
nada
ou vida, mentira
de pernas longas
te aguarda
ou
te espera
amada
de belas pernas
nesta madrugada
madrasta /
materna.




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