Vitória (ES), edição de fim de semana
 
Moderação e bom senso no próximo embate eleitoral
O senhor do tempo e da razão





Cristina Moura


"Posso prometer ser sincero,
mas não imparcial."
(Goethe)


A capacidade que o deputado César Colnago tem, ou deixa transparecer, de conciliar situações-limite, talvez tenha sido fundamental para lhe conferir o posto de presidente da Mesa Diretora da Assembléia Legislativa.

Nas respostas, mesmo para perguntas labirínticas, ele demonstra seu ar elegante, polido, sem deixar de responder. Nesta entrevista, fica claro esse processo. Colnago fala muito mais como presidente da Assembléia do que como deputado, o que não poderia deixar de ser, já que ele comanda um poder que se coloca lado a lado com o governo Paulo Hartung.

Colnago, sutilmente, descarta possibilidades políticas lançadas na mídia nas últimas semanas. Ele diz que "tudo a seu tempo", ou seja, que ainda estamos num período precoce para discutir eleições de forma decisiva.

Sobre as hipóteses, ele refletiu, ponderou, mas não se entregou totalmente. Para governador, vice de Hartung, federal... Comentar tais assuntos ainda é muito cedo. Colnago diz que a certeza mais latente é a que projeta a sua candidatura à reeleição. Outras certezas se atravessam, ainda no campo das suposições, como o leitor pode, então, conferir.

Século Diário: - Eleições 2006. Como é que estão os preparativos, os diálogos, as expectativas?

  
Foto: Carlito Medeiros
  
César Colnago: - Primeiro, acho que a gente tem uma tarefa importante, que é conduzir o processo legislativo, a Casa, juntamente com a Mesa, que é o trabalho do deputado. A gente não pode atropelar as coisas porque a eleição é o ano que vem. Eu acho que as eleições desse país têm que ser muito fruto do resultado do trabalho, que você se colocou na última eleição, de construir. Minha expectativa, evidentemente que o jogo mais geral vai depender do estabelecimento das regras, o que muda ou não, isto está ainda em debate no Congresso. O Congresso, no momento, tumultuado em função da crise política que o país vive... Mas a minha expectativa é que, no ano que vem, a gente possa, a partir do processo estabelecido, eu tenho expectativa de vir candidato à reeleição e trabalhar muito para que o processo de prestar contas daquilo que a gente fez, daquilo que a gente se colocou.

Eu, que fiz uma campanha para deputado estadual voltada aqui para a região da Grande Vitória, mas também para municípios do interior. E a gente tem, assim, trabalhado muito nessa relação, no sentido de estar mudando o espectro político capixaba, no sentido de que o Estado se organize, se reorganize, veja as finanças, até mesmo nas áreas como saúde, segurança, educação, para dar respostas efetivas. Então, acho que essa reconstrução, esse reaparelhamento, vamos colocar entre aspas, do Estado, é uma coisa fundamental e a Assembléia tem tido um papel importante nisso. Aí, não só o meu mandato de deputado estadual, mas acho que o conjunto dos deputados têm discutido as matérias, sejam matérias do governo, sejam as matérias dos próprios deputados. A discussão da LDO, que este ano colocou, por exemplo, a questão da descentralização da visão regional do orçamento, da questão dos investimentos nos municípios com menor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). São todas proposições feitas pela Assembléia. E, principalmente, o debate sobre os investimentos públicos e o orçamento do Estado.

São matérias de suma importância. Então, acho que a contribuição da Assembléia, num momento em que o Estado estava saindo de situações caóticas, foi no sentido de garantir governabilidade, garantir uma visão estratégica de unidade para que o Estado pudesse avançar... Acho que a Assembléia teve esse papel, sem perder a capacidade de emendar matérias, de criticar matérias. Mas eu acho que a convergência foi muito grande, em torno dessa reconstrução. Agora, estamos vivendo um momento ainda pré-eleitoral, um ano anterior às eleições no ano que vem. A expectativa é que a Casa continue cumprindo a sua função, a Casa continue a fazer o seu debate, a apreciação de todas as matérias, e a gente vai se apresentar, aí, as candidaturas a deputado estadual. O povo vai decidir no final. O povo é quem analisa, é quem julga as candidaturas dos deputados atuais a os de novas candidaturas que os partidos possam apresentar.

- O senhor acredita que o governador Paulo Hartung seja candidato à reeleição ou prefira se candidatar ao Senado?

  
Foto: Carlito Medeiros
  
- Eu acredito que o governador Paulo Hartung deva ser candidato a governador, até pelo trabalho que tem feito, pela reorganização que ele conseguiu nesse tempo aí de quase três anos de mandato. Se você pegar um referencial como o da reorganização das finanças, combate ao crime organizado, a questão ética, a transparência naquilo que está fazendo. Agora, de forma mais forte, organizando os setores de saúde, educação, segurança... Porque a gente está assistindo no país, eu acho que aqui serve como um olhar de como é que as coisas acontecem de verdade na prática, é que você não tem como chegar numa estrutura de governo e achar que da noite para o dia você faz as coisas, não é? Você tem que ir num processo de construção, de afirmação, de que o Estado existe para organizar as demandas, os recursos, e trabalhar em prol do cidadão.

Isso demanda tempo. Para quem pegou o Estado com um bilhão, duzentos e oitenta milhões de dívidas, para quem pegou o Estado muito desestruturado, eu acho que ele está caminhando... Acho não, tenho certeza, que ele está nesse caminho da reconstrução e pelo papel que tem cumprido com as lideranças políticas, pelo papel que tem cumprido, enquanto um governante com efetivas ações... O PSDB até esteve com ele. A nossa expectativa é que ele seja candidato. Evidentemente, isso depende dele e das forças políticas que vão estar travando esse debate no ano que vem.