"A vida está sempre ocupada em
se reproduzir e em se aperfeiçoar".
(Simone de Beauvoir)
Como primeiro secretário da Mesa Diretora da Assembléia Legislativa, o deputado Marcelo Santos (PTB) conquistou um lugar importante no seu mandato inaugural. Há mais proximidade com documentos, requerimentos, emendas, mensagens do Executivo... além de outras ferramentas.
De certa forma, chaves para abrir o mundo burocrático e necessário às formalidades originadas das reivindicações de segmentos sociais. Dentro dessa compreensão, o deputado admite-se como componente da base governista e acredita que a população esteja apostando no projeto de reeleição do governador Paulo Hartung.
Nesta entrevista, ele avalia a conjuntura política estadual, frente a um trabalho de reeleição, tendo a oposição pedetista como um adversário em consonância com pelo menos dois municípios da Grande Vitória. De um modo geral, segundo o deputado, ainda é cedo para uma análise mais objetiva. Ele não quer arriscar.
Século Diário: - Como é que está o partido em relação às eleições deste ano?
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Foto: Ricardo Medeiros
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Marcelo Santos: - Olha, eu acho que todos os diretórios regionais, estaduais, estão aguardando a posição da esfera federal. No meu caso, do PTB, a gente está aguardando a posição do PTB nacional, já tendo uma conversa de que o partido vai ficar neutro em coligações para que essa posição seja discutida no âmbito dos estados. Ou seja, não coligando em Brasília, os diretórios ficam liberados para suas coligações, observando o critério de cada situação, de cada estado. Então, isso nos garante uma discussão mais ampla com os partidos. As conversas mais próximas que temos tido, principalmente a bancada do PTB, que é a segunda maior bancada na Assembléia Legislativa, é com o PSDB e o PFL. E nada nos impede, caso se formalizem essas coligações no âmbito federal, que nós façamos aí uma coligação amarrando as pernas para estadual, de PSDB, PTB e PFL. Ou seja, com um bom nível das eleições 2006, para que possamos ter um bom resultado e daí para adiante conseguirmos na nossa avaliação eleger de oito a dez deputados estaduais. Essa é a pretensão do que está sendo discutido com as bancadas dos partidos aqui na Casa.
- O senhor considera confortável essa postura neutra do PTB, em relação às coligações?
- Eu acho que sim, porque cada Estado tem sua peculiaridade, cada Estado compõe acordos político-partidários com o governo e de oposição ao governo e eu acho que isso acaba sendo um resultado positivo para a política local dos estados. E isso fortalece a política do PTB aqui no Estado, que é base aliada do governador Paulo Hartung.
- Quais são os nomes para esse projeto ou "pretensão", como senhor mesmo chamou?
- Não, na verdade, é uma coligação que você vai depender aí da composição dos pré-candidatos e dos candidatos à reeleição. Na nossa bancada, por exemplo, nós temos quatro candidatos à reeleição: Marcelo Santos, Marcos Gazzani, Luzia Toledo e Fátima Couzi. O PFL tem três, o PSDB tem cinco. Então, somados aos pré-candidatos, com grande possibilidade de chegar ao parlamento estadual, somados à legenda que vai acontecer em função dessa fusão, se isso vier a se efetivar, nós teríamos aí a condição de estar fazendo um grande grupo parlamentar. E a nossa expectativa, caso aconteça isso, é de dez deputados estaduais. Essa é nossa visão, no caso de eleição para deputado estadual.
- Arriscaria uma porcentagem de renovação na Casa?
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Foto: Ricardo Medeiros
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- Olha, a Assembléia... Eu nunca participei de outra, a não ser essa. É o meu primeiro mandato, tive a terceira maior votação do Estado, tenho uma base sólida, que é o município de Cariacica, ampliei essa base com outros municípios capixabas... Mas é uma Casa que, vamos dizer assim... eclética! Ela é composta por deputados, a maioria metropolitanos, mas com atividades nos vários municípios capixabas. Há diversos segmentos aqui, portanto, que nos dão uma noção exata para podermos medir ou pelo menos jogar na sorte, de forma que você pode estar estimando uma possível votação. Aqui tem a bancada evangélica e, naturalmente, você não tem como medir porque é dentro de uma posição onde os membros filiados a uma igreja vão estar discutindo se votam ou não nesse deputado, qual sua extensão de atividade, basicamente dentro da igreja... Há deputados sindicalistas... E deputados como nós (eu), que temos afinidade com as comunidades, com os prefeitos, com os vereadores, com as câmaras. Enfim, a nossa base é nossa base política de fazer política propriamente dita, diferente de categoria e religião, observando que cada um tem o seu segmento religioso, mas a bancada evangélica, naturalmente, privilegia trabalhar em prol de dentro do segmento. Então, você não pode avaliar, principalmente esses deputados, e muito menos aqueles que têm uma base sindical porque é dentro do sindicato deles que isso é trabalhado. Agora, quem tem um trabalho prestado junto às comunidades, quem tem história com as comunidades, quem conseguiu fazer uma relação com o governo, independente de ser aliado ou não, mesmo oposição, conseguiu gerar, através dessa relação com o governo, dividendos para a sua comunidade, para o seu município, para os seus redutos eleitorais. Isso naturalmente vai ser traduzido em votos. E é um trabalho que temos feito, ao longo desses três anos, com o objetivo claro de alcançarmos a reeleição.