Vitória (ES), edição de 03 de abril de 2006    
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O teatro que vira curta-metragem



Felicia Borges


  
Foto: Divulgação
  

Depois de nove meses em cartaz, a peça "Apocalipse", produção da Companhia de Teatro Experimental, teve sua última apresentação na terça-feira (28), na Prainha, em Vila Velha. Mas não acaba por aí. A peça vai ser transformada em curta-metragem, sob a direção de Jeferson Pinheiro.

Direto, o espetáculo aproxima o Apocalipse bíblico dos dias atuais e propõe uma reflexão sobre o sentimento de culpa, que não pode ser eliminado por uma confissão superficial ou atos hipócritas de penitência. A peça, com texto de Isaac Erder e argumento e direção de Márcio Zatta, mostra ao público a atual condição humana, cada vez mais degradada, falando sobre as mazelas que os seres humanos sofrem.

Aos que temem a justiça de Deus, "Apocalipse" mostra que há castigos piores, vindos dos próprios homens, das maldades que as pessoas fazem consigo e com os outros. O espetáculo é baseado nos relatos bíblicos sobre o juízo final, reunidos pelo apóstolo João. A Jerusalém do século XXI é uma metrópole moderna. Ao final, enquanto racismo, intolerância e violência desfilam como elementos bestiais, a ira de Deus descrita no Apocalipse de São João pode até parecer muito branda se comparada à vida real.

De acordo com Christiano Mattos, ator, produtor e assessor de imprensa da Companhia, eles receberam várias propostas para a realização do curta e a escolhida foi a do diretor Jeferson Pinheiro. A peça vai ser adaptada para linguagem de curta metragem, já em fase de pré-produção.

"Para nós da Companhia é um grande reconhecimento profissional a gente poder escolher com quem trabalhar. O Jeferson é uma pessoa de renome na área cinematográfica aqui no Estado e com isso a gente vai agregar valor ao nome da Companhia", fala Christiano.

Nos nove meses que esteve em cartaz, cerca de 1300 pessoas assistiram à peça. "A gente está muito feliz. A peça foi sucesso de público e agora a gente vai eternizar o 'Apocalipse'", diz Christiano. A gravação do curta será feita no mesmo local onde a peça foi encenada, no antigo Ateliê da Prainha, em Vila Velha, e a previsão é que dure três dias.

Participarão da produção os oito atores que fizeram a peça: André Storari (João Batista), Christiano Mattos (São João, Juiz, Travesti, Inspetor, Fanático Revoltado), Cris Rosa (Maria Madalena, Prostituta), Octávio Aphonso (Jesus Cristo, Neonazista, Homem 1, Homem 2), Poliana Mello (Coelho, Prostituta, Altista), Priscilla Poeta (Criança, Beata), Rodrigo Brand (Demônio, Promotor, Fanático Revoltado, Neonazista, Agente do Cotidiano, Esquizofrênico) e Sandra Mendonça (Drogada, Prostituta, Policial, Paraplégica).

  
Foto: Divulgação
  
A Companhia

A Cia. de Teatro Experimental foi formada em Minas Gerais há cinco anos e está no Espírito Santo desde março de 2005. "A Priscilla Poeta criou a Companhia em Minas Gerais e achou a capital do Espírito Santo para sediá-la. Foi feita uma pesquisa e constatado que a única capital no Sudeste que não tem uma identidade teatral é no Espírito Santo. Havia então um campo a ser trabalhado e ela resolveu investir", conta Christiano.

Em um ano em terras capixabas, a Companhia já está em seu sexto espetáculo. Já foram apresentados "Aristogatas, o Musical", um musical infantil adaptado da Disney; "Hoje tem Espetáculo"; "A Árvore e a Menina da Janela"; "As Mulheres de Nélson", reunindo seis personagens de Nélson Rodrigues, e "Apocalipse", e estreou na última sexta-feira (31) a peça "Sonho de Uma Noite de Verão", um clássico de William Shakespeare.

Na Companhia todos os atores são profissionais e vivem do teatro. O trabalho feito pelo teatro experimental é sempre buscando a inovação, não só nas apresentações, mas também nas questões dos espaços alternativos. Há também em relação à pesquisa um trabalho muito intenso, tanto de texto quanto de encenação, sendo feito primeiro a preparação dos atores, depois o ensaio do texto.

A Cia. de Teatro Experimental está em cartaz atualmente no Teatro Marista, em Vila Velha, com os espetáculos "Sonho de Uma Noite de Verão", às 20h, sextas, sábados e domingos, e "Aristogatas, o Musical", às 17h, todos os sábados e domingos. No "Projeto Escola", a Companhia está com duas peças, "A Árvore e a Menina da Janela", que é uma peça de educação ambiental, e "Hoje tem Espetáculo", que são esquetes bem humorados sobre o caos do dia-a-dia.


 

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