Carinho é quando é bom.
Sozinho é quando falta gente diferenciada bem juntinho da gente.
Escuro tem dois tipos principais: um é quando o Sol sai de viagem pra acordar japonês, o outro é quando o túnel parece não ter fim e a respiração vai ficando premida e curta. Mas tem remédio.
Desamor é quando tudo perde a cor.
Coração travado é quando já doeu tanto que a gente perde a coragem de se dar por inteiro, conforme a gente gosta que a pessoa amada se dê pra gente.
Ruim é quando a gente magoa uma pessoa, sem querer, só porque a quer muito mas ainda não sabe querer com leveza.
Limite é quando a gente tromba com a porta fechada na cara da gente. A porta pode ser fechada com doçura, com indiferença ou com grosseria. A culpa quase sempre é nossa, mas culpa não leva ninguém a nenhum bom lugar, por isso é melhor é perdoar-se, sacudir o lombo e dispensar a danada.
Esperança é quando ainda dói mas os olhos já brilham timidamente, diante de um novo encontro.
Maturidade é quando a gente não precisa pressionar a pessoa, tudo flui espontaneamente - ou não flui, mas a gente vai em frente.
Humanismo é quando você trata a pessoa que você ama sem sexualizar a importância dela.
Clareza é quando você e a pessoa amada precisam de poucas palavras pra se entenderem, mesmo quando as percepções e a linguagem não-verbal apontam para o fim do encantamento.
Nostalgia é quando um velho amor ainda causa uma ponta de tristeza na gente mas assim mesmo a certeza de voltar a amar com profundidade surge como o Sol que aquece sem queimar, feito em manhãs de setembro.
Crescer é quando as velhas cicatrizes amorosas se diluem, pela consciência e pela autopercepção. Então tornam-se vivências, autoconhecimento, prudência e chances maiores de ser feliz.
Leveza é quando o passado já sumiu do retrovisor da mente.
Futuro é quando o perdão se instala, trazendo um brilho que não cega, como na calma das tardes de maio.
Felicidade é quando o perdão é completo, aquele que traz, bem juntinho com ele, o esquecimento, e a outra pessoa já pode então receber a chance de tornar-se de novo um ser irmão, sem confusões de papéis e sem expectativas fantasiosas. Nesses casos a gente pode chamar a felicidade de paz, que ela atende, porque todos os ressentimentos e todas as mágoas já dispensaram suas armas, suas couraças, suas dores, suas maledicências e sua inquietação.
Já o viver pleno é "cantar a beleza de ser um eterno aprendiz", conforme ensinou o Mestre Gonzaguinha.
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