A degradação das águas no ES





Ubervalter Coimbra


Os córregos e rios do Espírito Santo estão secando. E a qualidade da água está se deteriorando no Estado: há a contaminação por agrotóxicos e por fertilizantes; por esgotamentos domésticos e industriais não tratados. Logo, logo, vai faltar água para o consumo humano, para a agricultura, para as indústrias. E o custo do tratamento da água para consumo humano será absurdo.

Conhecemos as causas desta deterioração, não é, caro leitor?

Os rios estão secando, pois não há cobertura de vegetação nativa que permita à infiltração das águas das chuvas na terra. E sem isso, durante as chuvas, é a tragédia de sempre: as águas arrastam a terra, que entope os leitos dos rios; a água que desce direto sem passar pelo filtro e armazenagem na terra, provoca enchentes.

Empresas, principalmente, e até mesmo agricultores, dão outra contribuição: plantam monoculturas, como a do eucalipto e do pinus, pastagens, cafezais. Muitas das culturas feitas em terrenos de grande declividade, impróprios para uso.

Nas áreas urbanas, a falta de infra-estrutura não dá opção: os esgotos são ligados até mesmo à rede pluvial, quando não correm, nas áreas periféricas, sobre a terra, até alcançar os leitos dos rios.

As empresas, por sua vez, aproveitando favores do governo e a pujança do mercado, inclusive do mercado internacional, ampliam cada vez mais suas produções. Estão aí para confirmar os projetos das transnacionais Aracruz Celulose, Arcelor Brasil (CST e Belgo) e CVRD - esta dona da Samarco -, apenas para citar alguns. Não há nenhuma racionalidade nestes projetos, realizados com a garantia prévia de que terão licenciamento ambiental sem nenhuma discussão em profundidade.

Por esta degradação de nossos recursos hídricos, oportunidades como a criada pelo 2º Fórum das Águas do Rio Doce e pela reunião do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Doce (CBH-Doce), que estão sendo encerrados nesta sexta-feira (31), não devem ser desperdiçadas. Devem lançar luz sobre o tema, e criar meios para enquadrar os grandes responsáveis pela destruição das águas.

Ocorre, que vem acontecendo muita falação e pouca ação: seguem impunes as nossas conhecidas Aracruz Celulose, Arcelor Brasil (CST e Belgo) e CVRD e outras menos cotadas. Estas continuam a projetar seus futuros sem considerar que o recurso água é finito e que tem de ser priorizado o consumo humano.

Neste quadro de desinteresse, era impossível que o Espírito Santo fosse vanguarda na produção de seu plano de recursos hídricos. Mas com o lançamento do Plano Nacional de Recursos Hídricos (PNRH) pelo governo Federal é imperioso que o governo capixaba se lance na produção do plano estadual.

Devem ser fixadas metas para permitir que mais pessoas tenham acesso ao saneamento básico, para permitir que mais gente tenha acesso à água potável. Para assegurar água para a agricultura. Para isso é preciso conhecer a disponibilidade do recurso e determinar o que os diversos setores - população, indústria, agricultura, setor elétrico, entre outros - podem usar de água, de modo sustentável.

Nossa realidade é por demais grave para que os governos continuem se omitindo.

E nos mesmos não podemos nos omitir de, em todas as instâncias possíveis, nos manifestar de forma contundente em defesa da nossa água de cada dia.

Pois o caos se aproxima, e sua velocidade pode aumentar sem uma firme ação nossa!