Os celulares não andam afetando apenas nosso comportamento social, mas para muitos, também a cabeça. Coisas estranhas andam acontecendo, talvez de tanto se usar o aparelhinho grudado nos ouvidos, muito perto da máquina de pensar. Ou de não pensar.
Uma mulher quer processar sua empresa telefônica por "danos moraisirreparáveis". Tudo porque o marido pediu a conta do celular dela, alegando que queria pagar, e a empresa forneceu. Acontece que a conta - que traz a lista de telefones recebidos e chamados - tinha números que não "convinham" chegar ao conhecimento do marido.
A lei não proíbe as empresas de fornecerem informações telefônicas dos usuários a qualquer pessoa que as solicite. Nesses tempos de alta preocupação com segurança, quando até para entrar no nosso email caseiro temos que usar senhas, não inventaram ainda o sigilo telefônico.
O marido, no caso, já devia andar com a pulga, em vez do celular, na orelha. A mulher, pêga em flagrante telefônico, expõe suas aventuras à execração pública, que vira assunto nacional, e graças à Internet, também internacional. O mundo já não é o mesmo, e as leis têm que se adaptar à tecnologia de ponta.
Indiferentes à revolução que sua invasão provoca, os celulares continuam crescendo e encolhendo. Crescendo em número, claro, e encolhendo em tamanho. É o caso de quanto menor, melhor, em oposição aos sonhos de consumo de outrora, quando tamanho era documento.
Os últimos modelos são fininhos, elegantes, magrinhos como corpo de modelo. A alta tecnologia está diminuindo o tamanho dos aparelhos de TV, dos computadores, dos celulares, e num efeito colateral indesejado, também dos salários. Ao contrário, os carros voltaram a crescer, e apesar da crise mundial de petróleo, estão gastando mais combustível do que nunca.
Quem entende o homem e suas variações de estilo? Antigamente, tinham que contratar detetives para seguir os passos da chamada "outra metade," para descobrir alguma prova em contrário. Agora o celular está aí mesmo, é só escrutinar a conta.
|