"A voga é a morte do pensamento"
(Paul Veyne)
Carlos Manato é um estreante na política, e começou bem. Encerra este fim de ano seu primeiro mandato de deputado federal e acreditando na reeleição. É um dos que fazem coro a dirigentes do PDT, sobretudo à deputada estadual Sueli Vidigal, na certeza de que o presidente estadual de seu partido, Sérgio Vidigal, será mesmo candidato ao governo em oposição a Paulo Hartung. Apesar da descrença de outras fontes políticas.
Aliás, Manato deve seu ingresso e parte de seu atual mandato a Vidigal, embora hoje, entre os próprios colegas, ele esteja cotado para ser reeleito.
Totalmente confiante nas chances de Vidigal, arrisca-se até a dizer que quem sai na frente (como é o caso de Hartung) costuma chegar em último. E quando diz que o ex-governador Max Mauro não deve ser o companheiro de Vidigal na chapa majoritaria, ou seja, para o Senado, e que a vaga deve ser negociada com os partidos da coligação, expressa claramente o que pensa do grupo do Vidigal.
Século Diário: - O Vidigal tem se colocado como candidato, mas ainda dá sinais de insegurança, dizendo que só será definitivo depois das convenções partidárias, em julho. Vidigal é candidato ao governo do Estado?
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Foto: Apoena
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Manato: - Pra mim, Vidigal é candidato ao governo do Estado. O que acontece, e que o Vidigal deve estar colocando, é que ele sempre diz que não quer ser candidato dele mesmo, quer ser candidato do grupo. Tá certo? Então o PDT saiu sozinho para o governo do Estado, o nosso tempo de televisão, as pessoas que nós vamos agregar, tudo dá um minuto e quarenta e sete de televisão. E nós estamos trabalhando os outros partidos - PP, que é um partido popular, o PL. Então nós estamos conversando com outros pequenos partidos, o PAN, por exemplo. Estamos conversando também com o PSB, com o PPS. Então existe uma conversa. Mas o foco principal são o PL e PP, que nós temos uma afinidade. Lembrando que o PT é importante, pra nós, que ele venha no primeiro turno, não venha conosco. É importante que o PT saia também com candidato, faça a sua plataforma, vá também com sua proposta política, que você possa no segundo turno, aí todo mundo é igual, são 10 minutos pra cada um. O tempo é dividido mais racionalmente. Então eu acho que a gente tem que partir desse projeto. O PDT procurar a suas alianças, estimular o PT a também sair com candidatura ao estado e o governador com o grupo dele.
- Nesse primeiro momento, então, uma aliança com o PT está descartada?
- Eu vejo que não é interessante, porque aí você vai transformar a eleição num turno só. Se você tiver dois candidatos é o mata-mata. Então não é interessante, certo? Porque todo mundo que está no poder e com a máquina administrativa, uma eleição de mata-mata favorece a pessoa que está no governo. Se você joga uma eleição para o segundo turno, você tem mais tempo. Na eleição passada, se tivéssemos mais uns 10 dias de campanha, o Max Mauro teria virado. Então a minha visão é que tem que jogar a eleição para o segundo turno, e para jogar para o segundo turno
tem que ter três candidatos.
- O senhor acredita que exista alguma possibilidade de haver algum acordo entre o PDT e o governador Paulo Hartung, com o governador saindo para a reeleição e o Vidigal para o Senado?
- Olha, eu não acredito muito nessa hipótese, não. Porque o PDT, ele já definiu em épocas anteriores, desde o ano passado que ele teria um candidato próprio ao governo. Isto já ficou definido. Então eu não acredito nesta composição. Só se, por acaso, acontecer, o que eu também acho impossível, de o PDT se coligar com o PMDB em nível nacional. Aí, você fica numa situação no Estado de acompanhamento, mas eu não acredito nisso. Eu acho que o PDT vai ter candidato a governador e o nosso candidato vai ser o Sérgio Vidigal.
- Como o senhor vê essa questão da manutenção da verticalização para o cenário eleitoral capixaba? De que forma isso vai afetar as coligações ou de que forma a queda da verticalização afetaria esse cenário?
- Eu vou voltar um pouquinho no cenário nacional. Eu sou favorável à verticalização. Porque aí você pega o programa partidário e você segue uma linha geral. Então eu sou favorável a isso. Em nível local, a oposição, ou seja, que tem a postura de independência e está querendo apresentar um programa alternativo para o Estado, sai fortalecido, certo? Sai dessa coligação que está prevista aí... o governador pode até fazer uma coligação branca e tem partidos que vão... é... até fazer um laranja. E eu acho que a pessoa que se presta a isso...né? Cada um tem a sua consciência, mas eu não gostaria de estar em um papel desse. Então, eu acredito que sai fortalecido quem tem a posição partidária, sai fortalecida a oposição e enfraquece um pouco a situação. Mas tem o jeitinho brasileiro, sai a coligação branca e, como foi na eleição passada, usa laranjas que indiretamente vão trabalhar de alguma forma.
- E como o senhor pensa a campanha? Como será a campanha do PDT? O meio político tem opiniões divididas. De um lado existe o clima de já ganhou do governo do Estado e, por outro lado, existem críticos do governo dizendo que há muitos descontentes com a gestão de Paulo Hartung. O senhor considera o governador um adversário difícil?
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Foto: Apoena
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- Olha, esse clima de já ganhou é uma coisa muito relativa. Nós temos casos clássicos, até no nosso Estado, que as pessoas saíram nas pesquisas muito na frente, em condições favoráveis...Eu acredito que na hora que você tem um tempo de televisão, começa uma campanha e você vai com um projeto, com proposta de credibilidade, as pessoas vão parar e vão refletir. Então, já ganhou só depois que abrir as urnas. Eu já vi muito "já ganhou", que na hora H perdeu. Eu prefiro discutir muito internamente os projetos, as propostas e as formas que vamos usar para fazer isso chegar até à população. E nós temos referência, nós temos trabalhos. É só pegar a nossa administração na Serra e fazer um comparativo. O que era a Serra há 8, 9 anos atrás e o que é a Serra hoje, como foi sua história e como está. E nós queremos, sim, pegar a nossa experiência que nós tivemos aqui na Serra e colocar para o Estado.