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Foto: Divulgação
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| Jean-Claude Carrière
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A burguesia teve, sim, o seu charme discreto. Grandes jantares ou suntuosos banquetes em locais estratégicos. Reuniões mais que íntimas em outros mais estratégicos ainda. Ora, e o que seria a burguesia sem uma porção de mistério? Como diria o diretor Buñuel, numa relação imagética, um caldeirão de hipocrisias, todas veladas, mas jamais passadas a limpo.
Um dos parceiros mais significativos do cineasta, em termos de produção visual, foi Jean-Claude Carrière. Numa intimidade quase que desconfiada do resultado, o autor deu vida a obras não menos importantes. Entretanto, foi através do cinema que ganhou notoriedade. "A Linguagem Secreta do Cinema" é a obra que reúne, em 200 páginas, o que a caixa de Pandora cinematográfica e com sangue latino-europeizado soube captar.
Como tradutores, Benjamin Albagli e Fernando Albagli, assinados pela editora Nova Fronteira. Na apresentação, Lucia Riff. Isto mais parece propaganda de livro. Para quem gosta mesmo de cinema ou quer se especializar na área ou, enfim, curte mesmo as ramificações do mundo da Comunicação, Carrière vale pela vivência como roteirista. Negócio difícil no cinema atual ou, aliás, na produção de cinema atual. Parece, hoje, um achado.
Paraíso de criações
Luís Buñuel foi mestre em cinema, mas mestre de um lugar pouco conhecido no paraíso das artes. O surrealismo foi a grande razão de ser na obra do espanhol. Era ousado, polêmico e tripudiado pelos colegas. Odiava o Oscar. Era ateu. Meio aquariano, meio psiciano, embora não acreditasse em nada que o fizesse tentar mais uma obra-prima. Na virada para o século XX, nasceu.
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Foto: Divulgação
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| Buñuel
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Cursou em Madri, Engenharia Agrônoma. Isto mesmo. Era amigo de figuras como Salvador Dalí, Federico García Lorca... Em Paris, espécie de exílio tão próximo, realizou "Um Cão Andaluz" (1928), em parceria com Dali. "L'Age d'Or" (1930), outra com Dali, quase proibitiva em território francês não anarquista. Durante sua incursão pelos Estados Unidos, fugiu um pouco da sua postura anárquica e surrealista. A sobrevivência falou mais alto. Foi supervisor da dublagem em espanhol de filmes da Warner Bros., escreveu roteiros sobre a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), atuou como editor chefe do setor de redação do Museu de Arte Moderna de Nova York.
Foi espinafrado pelos seguidores do regime do General Franco e, por isso, seguiu para o México. Em 1960, voltou à Espanha para realizar "Viridiana", uma doce paródia à Santa Ceia, que recebeu a Palma de Ouro de Melhor Filme no Festival de Cannes. Nessa leva de premiações e reconhecimento, "O Anjo Exterminador", "Simão do Deserto", "A Bela da Tarde", "O Discreto Charme da Burguesia", "O Fantasma da Liberdade" e "Esse Obscuro Objeto do Desejo". Faleceu em julho de 1983, na Cidade do México, festejado, aclamado. Suspiros ao bom ateu.
Os burgueses
"O Discreto Charme da Burguesia" (Le Charme Discret De La Bourgoisie) é de 1972. No roteiro, uma aparente repetição: uma bela jovem arrumadeira é seduzida por um homem rico. Apenas aparente, em se tratando de Carrière, o roteirista, que dá vida à obra lançada pela Nova Fronteira. No elenco da co-produção Espanha e França, jovens ainda considerados promissores para a carreira.
Fernando Rey, no personagem Mathieu, logo provaria ao mundo que não era apenas um rapaz de boa fisionomia. A personagem Conchita (com a estreante Carole Bouquet) tirou o fôlego do público com seu olhar de sonsa e desajeitada dentro de uma pele de espertalhona. O filme recebeu duas indicações ao "odiado" Oscar, nas categorias de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Roteiro Adaptado. Ganhou como melhor filme. Além disso, uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e duas indicações ao Cesar, nas categorias de Melhor Diretor e Melhor Roteiro.
Nada mal para o último filme de Buñuel para o cinema. Depois de fundar, nos anos 20, o movimento cineclubista espanhol. Depois de trabalhar como assistente de Jean Epstein em Paris. Inconformado, de humor refinado e bombástico ao mesmo tempo. Assim foi Buñuel, mas... na voz de Jean-Claude Carrière pode guardar outros segredos.
Saiba mais!
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Serviço:
"A Linguagem Secreta do Cinema"
Jean-Claude Carrière
Editora Nova Fronteira
200 páginas
Preço sugerido: R$19,90.
Clique aqui e acesse o site da Editora Nova Fronteira
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