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Foto: Divulgação
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Honoré de Balzac era um tremendo mulherengo, isto sim. Na verdade, Balzac foi um solitário. Olha, Honoré de Balzac foi um homem infeliz. Escuta, aqui: ele foi um moralista. Estas frases todas não eram ditas por pessoas diferentes. Eu mesma as pronunciei depois de ler o amado francês e queridinho da Literatura.
Para ser sincera com ele, da literatura do mundo inteiro. Afinal, quem não conhece o doce sofredor e platônico movedor de paixões, o esquizofrênico Honoré de Balzac (1799-1850)? Certa vez, numa das andanças pelo Centro de Vitória, me deparei com a biografia dele. Apenas R$10. Não acreditei e, por não acreditar, comprei.
Esse é o universo do consumo, mas que, não puramente consumo. Havia uma razão de ser até maior do que aquele ato de comprar. Balzac foi uma espécie de aspirina para a minha dor-de-cabeça literária, ao estudar para o Vestibular, no início dos anos 90. Eu nem sabia se era obrigação estudá-lo.
O balzaquiano continuaria a ser aquele escritor que somasse alguma semelhança, ao menos aos chinelos do francês legítimo. Ora, como em todo jogo de coincidências e semelhanças, os chinelos podem soltar as tiras. Parodiando, aqui, as famosas sandálias que até os craques de futebol dizem calçar. A balzaquiana é aquela mocinha sem adjetivos possíveis de imaginá-la, de tão sutil.
Síndrome de perfeição
"A Comédia Humana", de Balzac, parece algo tão atual que causa espanto. Foram 20 anos de trabalho árduo, mas progressivamente íntimo, numa apoteótica construção. Balzac morreu aos 50 anos de idade, com incontáveis goles de café sorvidos como seu espírito notívago. E, claro, extremamente metódico. Por isso a sua índole, segundo os médicos, de perfeccionismo, quase em constante desequilíbrio.
Usou vários pseudônimos quando começou a escrever para sobreviver. Seu paladar pela escrita era exigente. Pela vida, nem tanto. Era exigido muito mais pelos editores de jornais que publicavam folhetins. Foi por isso também alvo de críticas, por ser tão melodramático e excessivamente piegas nas suas trilhas novelescas.
A obra chega outra vez às livrarias brasileiras, pela L&PM. Desta vez, com o arremate de uma nova edição, mas com a incômoda lembrança de que seus 3.500 personagens são medíocres. Ora, mas qual o alicerce de trabalho de Balzac, senão a própria sociedade? De um lado, a porção que quer alcançar uma certa salvação. Do outro, os supostamente condenados. Afinal, todos vivem uma comédia, são misturados, esbarram-se o tempo inteiro.
Retrato social
Amor e ódio, bem e mal, céu e inferno: os contrários e os contratos da sociedade inspirada pelas idéias da Revolução Francesa. Fama? Dinheiro? Se não tivesse tantas contas com quinquilharias, poderia ter morrido sem a virulência dos seus contemporâneos. Uma teoria ainda utilizada pelos charlatães: a melhor forma de se manter, mesmo devendo até os dentes, seria gastar cada vez mais. Coitadas das suas mulheres?
Dois homens coexistiam: o escritor sedutor e irresistível contra o desajeitado e sorumbático. Mas morreu afogado nas incontáveis cartas que recebia. Admiradoras inconsoláveis, mas que certamente ouviram dele: "Por detrás de todas as grandes fortunas, está sempre um crime". Balzac bem que poderia estar no Brasil de hoje.
A L&PM, em versão pocket, lança a comédia, as mulheres, as doces e aventureiras mulheres de Balzac. Todas se intercalam em "A Duquesa de Langeais", "A Menina dos Olhos de Ouro", "Ferragus", "A Mulher de Trinta Anos", "O Lírio do Vale", além de outras. Mas, há, ainda, "Napoleão: Como Fazer a Guerra. Máximas e Pensamentos", revelando sua admiração pela figura do imperador.
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