Tirando a máscara




Desta vez a Vale do Rio Doce não teve como fugir à verdade e foi forçada a tirar a máscara de boa empregadora: admitiu que, dos 3,8 mil operários a serem contratados para a construção da sua oitava usina de pelotização, em Tubarão, 3,5 mil serão demitidos depois da conclusão da obra. Restarão apenas 300 operários e técnicos na operação da usina, dos quais 130 efetivamente contratados e 170 terceirizados.

A própria empresa apresentou os números numa reunião na Federação das Indústrias (Findes), nessa segunda-feira (10). Mas o desemprego em massa anunciado não será o único problema resultante da obra: a nova usina de produzirá sete milhões de toneladas de pelotas por ano, agravando ainda mais a poluição do ar nma Grande Vitória.

Há outro agravante: o aumento de produção desta e das outras usinas, conforme determina a lei, tem de passar por um outro licenciamento ambiental, com produção de Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (Rima) específicos.

A empresa previa 12 usinas em Tubarão e o aumento de produção das antigas usinas equivale a uma nona fábrica. A poluição que a empresa provoca e os protestos contra as doenças que causam levaram a empresa a mudar seus planos para Tubarão.

E não fica só nisso: a empresa usa óleo combustível na produção de suas pelotas de minério de ferro, com elevadas emissões de dióxido de enxofre. Denúncias de que o uso de óleo combustível provoca doenças nos capixabas, entre elas cânceres, fez com que ela anunciasse a substituição do óleo por gás natural nas oito usinas.

O problema é que as usinas da CVRD estão instaladas em locais impróprios, já que os ventos dominantes na região lançam os poluentes do ar sobre os moradores da Grande Vitória. Estes ainda sofrem os efeitos da fábrica da Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST). Esta empresa e a Belgo desde o ano passado pertencem à transnacional Arcelor Brasil.

Sobre a Grande Vitória são lançadas 264 toneladas/dia (96.360 toneladas/ano) só de poluentes do ar.

Não se trata de problema novo: as usinas da CVRD começaram a ser instaladas na Grande Vitória há 35 anos e hoje a empresa responde por 20-25% dos poluentes do ar na região. A Arcelor Brasil (CST) responde por 15 a 20% dos poluentes lançados no ar na Grande Vitória e a Arcelor Brasil (Belgo), por 5-8% da poluição atmosférica da Grande Vitória.

Agora vamos ao números que mostram essas empresas como verdadeiramente campeãs de poluição, pois, juntas, provocaram doenças que exigiram o gasto de R$ 3,7 a R$ 4,4 bilhões da população. Os poluentes lançados pela CVRD exigiram que os governos e a sociedade na Grande Vitória gastassem R$ 56 a 70 milhões por ano, com valor médio anual de R$ 65 milhões, para tratamento de saúde. Nos 35 anos de operação, a empresa exigiu que a população gastasse R$ 2.275.000.000,00 para tratar as doenças que provocou.

Sem tratar os gases derivados do enxofre emitidos por suas usinas I e II de Carapina, as emissões da Arcelor Brasil - CST prejudicam a população da Grande Vitória há 25 anos, initerruptamente, e causaram doenças que custaram à população R$ 1.250.000.000,00 (R$ 50 milhões por ano), e a Arcelor Brasil - Belgo, R$ 18.000.000,00 por ano, R$ 414.000.000,00 desde sua fundação.

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