Aos 8 anos Joaquim foi do Ceará para o Rio num pau-de-arara. Aos 18, bonitão e malhado, mudou o nome para Joá, mais moderno, mais areias do Leblom. Nas rodas aonde circulava com algum sucesso Joaquim era nome de pobre. Não combinava com seu nome estilo.
Aos 28, Joá não tinha ainda realizado seus ambiciosos sonhos. O rosto bonito e o corpo atlético não lhe abriram as portas da TV ou do cinema, não lhe conquistaram as passarelas nem as capas de revistas. Não conseguiu nem mesmo ponta em humorístico do SBT. Era sedutor mas não encontrou a noiva rica que o faria feliz para sempre.
O jeito era ir baixar em outro centro, e como a moda era imigrar, Joá arrumou malas e passaporte, arrancou o dinheiro da passagem de uma viúva rica, e se mandou. Em Miami namorou uma cubana, aprendeu espanhol e mudou o nome para Joachin. Com sorte e sabendo usar seus atributos, conseguiria muito em pouco tempo.
Aos 38, Joachin estava na mesma. Não casou, não enriqueceu, não mudou de vida. Agora circulava no meio das americanas mal-amadas, falava inglês e mudou o nome para Joakin, que soava sofisticado em bocas elegantes. Era ainda bonito, vivia bem, mas os sonhos pareciam cada vez mais distantes.
O que há num nome, perguntarão os pobres de espírito. Tudo, na verdade. O sujeito mal nasce e um nome - uma ficha de eterno reconhecimento - lhe é imposto como o gado marcado a ferro e fogo. O nome há de acompanhá-lo para o resto da vida, com poucas e complicadas exceções.
Joaquim, o menino faminto e órfão do Ceará, teve uma vida escassa em recursos e afetos. Mudando para o Rio tentou escalar a árdua ladeira social usando os atributos que Deus lhe deu. Era bonito e as mulheres o apreciavam. Muito trabalho e algum estudo lhe deram passagem para as boas rodas. O apelido Joá combinava melhor com essa fase.
Mas não foi suficiente. Na América novos horizontes se abriram, Joachin se engajou na grande leva de cubanas que dominam a paisagem, carentes de afetos e de boa companhia. Joachin se deu bem, foi feliz, mas suas ilusões não se concretizaram. Os anos passavam e nova adaptação foi necessária.
Aos 48 anos, Joakin aceita sua realidade. O cabelo rareava nas têmporas, o corpo já não era tão atlético, e muitas letras em sua agenda tinham páginas vazias. Joakin arranja um emprego modesto e se casa com uma brasileira tão pobre e ilegal quanto ele. O menino do Ceará correu mundo, sonhou alto, mas nunca deixou de ser Joaquim.
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