Vitória (ES), edição de 13 de abril de 2006    
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De Sica chega em DVD



Da Redação




  
Foto: Divulgação
  
Foi lançado e chega agora às locadoras o DVD de "Ladrões de Bicicleta" (1948), do diretor Vittorio De Sica, longa ganhador do primeiro Oscar de Filme Estrangeiro e um dos representantes mais expressivos do neo-realismo italiano, movimento de vanguarda cinematográfica que carregava fortes cores do factual, mostrando a Itália de então.

A obra-prima de De Sica guarda as principais características do movimento neo-realista. Ambientações externas usando como cenário as ruas da Itália sob escombros deixados pela guerra e, por causa da falta de verbas, e até mesmo do desemprego que rondava a época, o uso de atores não-profissionais desempenhando os principais papéis, o que vinha de encontro ao "star system" hollywoodiano, que vivia seu apogeu.

Dessa forma, as interpretações dos atores ganhavam força de representação factual, em que as aflições vividas pelos personagens reproduziam o sofrimento do povo italiano na época. A história de "Ladrões de Bicicleta" se passa logo após a segunda grande guerra, com a Itália destruída e o povo passando necessidade. Antonio Ricci (interpretado pelo amador Lamberto Maggiorani) consegue um emprego, após muita espera, para colar
cartazes de cinema pela cidade.

Só que esse emprego lhe pedia como obrigação uma bicicleta, já que ele deveria se locomover muito e andando não seria uma boa opção, por causa do tempo que seria desperdiçado. Mesmo com dificuldades, Ricci e sua mulher Maria (Lianella Carell) conseguem dinheiro para comprar uma bicicleta.

Porém, logo no primeiro dia de trabalho, a bicicleta é roubada. Junto com o filho pequeno, Bruno (Enzo Staiola), Ricci começa uma busca desesperada pela bicicleta. Esse roubo é o empurrão para o desenrolar do filme, a busca incansável de Ricci, seu filho e amigos para recuperar o objeto não só de trabalho, mas de esperança de uma vida melhor da família.

O menino tem papel fundamental na história. É um pequeno homem, na verdade, amadurecido pelas circunstâncias e tendo que, no final do dia, conduzir pela mão a personificação do fracasso, seu pai, que, em um ato de desespero, decide ele mesmo roubar uma bicicleta.

A história é um pretexto para De Sica apontar, sob caráter documental, as condições degradantes a que o povo italiano estava submetido. Humanista em cada ângulo de câmera, "Ladrões de Bicicleta" parte de um drama particular para mostrar o contexto mais amplo que abre espaço a indagações sobre os motivos que levam cada um a cometer atos extremos.

  
Foto: Divulgação
  
Cena de "Ladrões de Bicicleta"
De Sica

Vittorio De Sica era o poeta do Neo-Realismo, o homem das emoções, o que ia direto aos corações italianos. De Sica sabia sempre como ninguém guiar seus atores, e "Ladrões de Bicicleta", rodado com 100% do elenco de atores amadores, é um perfeito exemplo disso. Não há como, em nenhum momento do filme, afirmar que aquelas pessoas em frente à câmera não são convincentes.

Com uma história aparentemente simples, que toma proporções de fatalidade diante do contexto do país, o diretor italiano conduz o seu problema de forma sincera, sendo sentimental sem decorrer ao subterfúgio do sentimentalismo, sem a pieguice que poderia pôr o filme a perder. Na há espaço para final feliz. Na verdade, a palavra "fim", que aparece no fecho do filme, nada significa, já que a busca pela bicicleta continua.

De Sica faria ainda filmes não menos brilhantes, como "Milagre em Milão", "Umberto D" e "Ontem, Hoje e Amanhã". No entanto, "Ladrões de Bicicleta" permanece como seu trabalho mais emblemático, com uma história humanista e universal.

DVD

O DVD, distribuído pela Versátil, traz, além do filme, mais de uma hora de extras, incluindo a vida e a obra de Vittorio De Sica e um documentário inédito sobre o diretor, "Vittorio De Sica: Assim É a Vida", entrevistas especiais, trailer de cinema e galeria de pôsteres e fotos. "Ladrões de Bicicleta" foi Vencedor do Prêmio Honorário no Oscar de 1949, ganhou o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro, o Prêmio de melhor filme estrangeiro pelo Círculo dos Críticos de Nova York e o Prêmio da Academia Britânica de melhor filme estrangeiro.


 

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