No mato sem cachorro





Rogério Medeiros

A cabeça de Suely Vidigal é o preço pedido por PL e PP para participarem da coligação com o PDT, do marido dela, Sérgio Vidigal. Do contrário, ele vai ficar só com a própria legenda, que tem apenas 1,5 minuto de tempo de televisão. Para sustentar uma candidatura ao governo, não é absolutamente nada.

Ainda por cima tendo que pegar pela frente um opositor do nível do governador Paulo Hartung, que já entra nas eleições com a aura de vencedor do pleito. Por outro lado, para quem tem um adversário do peso do PH, para não ir para a orfandade é necessário que tenha espaço na política através de representantes legítimos.

E a mulher Suely é uma das favoritas para a Câmara dos Deputados. Com a cadeira de deputada federal nas mãos, é um passo adiante para o grupo do Vidigal, que detém a prefeitura da Serra. Tirar a Suely da disputa para a Câmara Federal reduz Vidigal à Serra e ele é muito trancado no que diz respeito ao seu grupo. Aí está o nó.

É ele, a mullher, Audifax e alguns peões que servem a ele sem capacidade de alcançar cargos eletivos. Não dá, portanto, para ele se desfazer da Suely, como também não dá para ele evitar a reeleição do Audifax na prefeitura da Serra. Audifax e Suely vão sustentá-lo numa derrota para o governo.

Como se trata de uma questão de sobrevivência, é possível que Vidigal resista à proposta de PL e PP, vindo a perder apoios decisivos à sua candidatura ao governo, com o agravante de que ele não pode mais fugir da candidatura ao governo. Está no mato sem cachorro. Ou vai à caça ou vai ser comido pela onça.

Vidigal começa a perceber que o jogo para o governo do Estado exige estratégia, tática, capacidade de transigência e, sobretudo, audácia. Não pode entrar numa eleição retranqueiro, como ele pretende. É necessário atacar e fazer gol. Pois gol o PH faz até de mão, como já fez o extraordinário Maradona num Mundial de seleções.

Portanto, não entregando a cabeça de Suely, ele pode, muito bem, estar entrando num mar de destroços.

Fragmentos
1 - O deputado estadual Luiz Carlos Moreira, do PMDB, que foi pego por um olheiro da coluna resistindo a comparecer a uma reunião com o presidente do seu partido, deputado federal Marcelino Fraga, esclareceu que não tem nada pessoalmente contra Marcelino, de quem, inclusive, é até amigo.

2 - Mas que em matéria de política corre léguas dele, evitando tomar tombos. Queixou-se do fato de ele indicar o ex-prefeito de Linhares, Guerino Zanon, também candidato a deputado estadual como ele, à Secretaria de Esportes, sem ouvir o partido e principalmente os deputados estaduais.

3 - Macaco velho em política, Luiz Carlos sabe que a legenda do PMDB é fraca. Sozinha, ela deve fazer dois deputados e, do jeito que o governo equipou Guerino na secretaria, ele vai ser o deputado estadual mais votado do PMDB, deixando apenas uma vaga para Luiz e o seu colega Sérgio Borges.