Nos próximos dias 19 a 23, os índios das sete aldeias Tupinikim e Guarani do Espírito Santo comemoram a semana do índio, com o tema "Terra: luta, sobrevivência e liberdade". Na programação, jogos tradicionais, danças indígenas, mostras culturais, entre outros. O evento começa às 9h30, na aldeia de Caieiras Velha, em Coqueiral de Aracruz, norte do Estado.
O tema também será discutido para que haja reflexão sobre os últimos fatos ocorridos com os índios no Estado, e haverá exposição de fotos e vídeo sobre a luta pela terra, além de vendas de artesanato e comidas típicas.
Os índios retomaram a luta por suas terras em maio de 2005, quando autodemarcaram 11.009 hectares de terras já reconhecidas como indígenas pela Fundação Nacional do Índio (Funai), mas que ainda estão sob o poder da Aracruz Celulose.
De lá pra cá, duas aldeias foram reconstruídas e depois destruídas por uma ação de reintegração de posse a favor da Aracruz Celulose, e executada brutalmente pela Polícia Federal. Tal ação foi contestada e é motivo de tristeza para as comunidades indígenas, que não foram avisadas sobre a reintegração de posse, foram pegas desprevenidas, e tiveram 12 índios feridos e dois presos na Casa de Hóspedes da Aracruz Celulose, onde estava instalada a base da Polícia Federal.
Depois disso, e de muitos protestos dos movimentos de direitos humanos de todo o País, os índios conseguiram ser ouvidos pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva e posteriormente pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Ambos prometeram aos índios que as terras voltariam para seus verdadeiros donos.
No entanto, o processo ainda se encontra em andamento. Depois de um segundo estudo da Funai que comprovou novamente que a terra é legitimamente indígena, os índios esperam agora que acabe o prazo de contestação da Aracruz Celulose para que os documentos sejam enviados pela Funai ao Ministério da Justiça, que se cumprir o prometido, deverá autorizar a demarcação das terras indígenas e sua homologação.
A festa é organizada pela Associação Indígena Tupinikim e Guarani (AITG) com o apoio da prefeitura local, da Pastoral Indígena, Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase), Fundação Nacional do Índio (Funai) e Igreja Batista.
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