Vitória (ES), edição de 17 de abril de 2006    
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Os Brasis de Hamilton



Da Redação

  
Foto: Divulgação
  

Em março deste ano, Hamilton de Hollanda iniciou a turnê do seu mais novo disco, "Brasilianos", lançado pela Biscoito Fino. Ao lado de seu quinteto, o bandolinista brinca com a Moderna Música Brasileira.

Com onze músicas próprias, uma de Gilberto Gil e outra de Villa-Lobos (Trenzinho do Caipira), o álbum conquista pela multiplicidade dos arranjos.

Confira o texto de apresentação escrito pelo próprio Hamilton de Holanda.

"Um disco feito em homenagem ao povo brasileiro e aos seus jovens músicos, que, sem perceber, estão criando a Moderna Música Instrumental Brasileira, fincada nos elementos mais brasileiros, mas sem fechar os olhos para os acontecimentos globais. Justamente por isso, Brasilianos é um disco de músicas que fiz inspirado em nomes importantes da nossa história, como Baden Powell, Pixinguinha, Milton Nascimento, Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti, entre outros. São músicas, em sua maioria, que podem ser executadas por um simples assobio, ou por uma orquestra, isto quer dizer, melodias comunicativas junto a ritmos, harmonias e improvisos, aquilo que temos de melhor em nossa tão admirada Música Popular Brasileira. É claro que não podiam faltar releituras de compositores que gostamos tanto: Villa-Lobos e Gilberto Gil.

Venho junto com os meus companheiros de ideal e excepcionais músicos: Daniel Santiago, violão, André Vasconcellos, baixo elétrico, Márcio Bahia, bateria, e agora um novo componente, o jovem gaitista Gabriel Grossi, formando assim o Hamilton de Holanda Quinteto. Somos cinco solistas, cada qual em sua especialidade.

Por exemplo, os caminhos percorridos pelo violão de Daniel em Pedra da Macumba, ou solando no Trenzinho do Caipira de Villa-Lobos; a sutileza da bateria de Márcio em Pra Você Ficar, ou a exuberância dela mesma em Hermeto tá Brincando; a bela interpretação da Valsa em si e o virtuoso solo em Pra Sempre de Gabriel; André nos dá segurança nos sambas Pedra da Macumba e 01 byte 10 cordas, nos dá também o lindo e profundo som de baixo fretless na Valsa em si. É um grande time. E falando mais sobre as músicas, fiz Caçuá em um momento de alegria infantil. Já Dor Menor, foi o oposto, tristeza de adulto com saudade. Gravamos também uma versão jazz de Procissão, de Gil.

Desconstruimos e reconstruimos o Trenzinho do Caipira, de Villa-Lobos, as duas com arranjo de Daniel Santiago, aliás, ele foi meu companheiro mais constante na definição da concepção musical do disco. O momento mais introspectivo acontece na valsa Saudade do Futuro, uma reverência à Brasília, cidade aonde me criei, e ao sonho do arquiteto Oscar Niemeyer de que sua arquitetura e o urbanismo de Lúcio Costa pudessem anular as diferenças sociais na Capital do Futuro. E a mais ufanista de todas, música que dá título ao disco, Brasilianos. Um baião a la Milton Nascimento que nas mudanças de andamentos e rítmos, nos improvisos, na harmonia e na melodia, exalta nossa música, nossos músicos e nosso povo.

Brasilianos podia ser só um disco. Mas é também um Manifesto Musical. Do Brasil para o Brasil e para o mundo."


 

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