No frigir dos ovos, a reunião de segunda-feira (17) no PT, que seria para deslanchar a candidatura do deputado estadual Cláudio Vereza ao governo, consolidou a do deputado Renato Casagranade, do PSB, ao Senado. Ele saiu de lá candidato também de PT, PL e PCdoB.
Serviu também para mostrar a viabilidade de uma aliança para a Câmara dos Deputados entre os partidos ali representados. Garantindo as reeleições de Neucimar Fraga, do PL, e Iriny Lopes, do PT, e acrescentando mais uma para a aliança, atribuindo-se à legenda em torno de três cadeiras de deputados federais.
Agora, governador: o que se viu é que o grupo de partidos ali representados vai ainda conversar com o PDT, que tem Sérgio Vidigal para o governo, e o PMDB, que tem o governador Paulo Hartung para reeleger. Vereza ficou mesmo como o três de paus desse baralho político. Para resolver depois, assim mesmo tendo que conviver com o desejo do seu próprio companheiro de partido, o prefeito de Vitória, João Coser, de defender o apoio do PT a Hartung, e o PSB entrando na de Coser para neutralizar um possível apoio de PH à candidatura de Luiz Paulo ao Senado.
Melhor mesmo quem levou foi Casagrande, até porque a candidatura de Luiz Paulo, por absoluto constrangimento político, esbarrou na candidatura do ex-governador e ex-senador Élcio Álvares, do PFL, aliado do partido de Luiz Paulo na disputa pela presidência da República e pelo governo do Estado. Faltou-lhe audácia para consolidar a candidatura no bom momento vivido pelo seu lançamento.
Quer dizer, ficou bom para Casagrande com a candidatura de Luiz Paulo embaraçando-se na de Élcio Álvares e ainda soltando-o para alinhar-se entre aqueles que podem defender a não candidatura de Vereza para não atrapalhar a de Paulo Hartung. Política fica cada vez mais parecida mesmo com nuvem: as coisas aparecem e desaparecem com grande facilidade. Mas só não se modificam as inteligências políticas. Em alguns casos, como no de Casagrande, ainda vão além das contas.
E cada vez fica mais nítido que a disputa para o Senado caminha para chamar para si a emoção das eleições de outubro.
Fragmentos
1 - Diante desse quadro acima, tudo trama contra os adversários do governador Paulo Hartung. O PDT, de Sérgio Vidigal, viu escapulir o PL, de Neucimar Fraga, da sua candidatura, por pura teimosia em não querer abrir mão da candidatura da Suely Vidigal a deputada federal, enquanto Vereza saiu de uma reunião ontem com partidos aliados sem o necessário aval à sua candidatura ao governo.
2 - Enquanto assam a dos concorrentes, o governador Paulo Hartung vai levando a situação na flauta, deixando que a sua peãozada trate da saúde dos concorrentes. A expectativa dele continua sendo a de que as partes interessadas não avancem o sinal estabelecido por ele: junho para definições.
3 - O momento vai ficar, sobretudo, por conta das definições, por sinal dificílimas, para a Câmara dos Deputados, onde existem 20 candidatos com potencial concorrendo a apenas 10 vagas. A vingar a aliança PT/PSB/PL/PCdoB, essas 10 viram 7, para serem disputadas por uma coligação puxada pelo PMDB e outra que tem à frente o PSDB.
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