As eleições que definirão qual sindicato será o representante de base dos rodoviários será na próxima semana. O maior deles, o Sindicato dos Rodoviários do Estado (Sindirodoviarios-ES), espera ser o escolhido. Caso vença, os seus novos integrantes vão se deparar com uma dívida de R$ 6 milhões do sindicato junto ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).
O presidente do Sindirodoviários, Edson Bastos, explicou que toda a receita da entidade é bloqueada para o pagamento da dívida, que foi gerada pelas administrações anteriores. Mas, como as atenções se voltam para a escolha do sindicato representativo dos rodoviários, Bastos acredita que o Sindirodoviários sairá vencedor "por ser muito querido na base".
A partir desta segunda-feira (24) se inicia o pleito, em pontos específicos, em Vitória. Na terça (25), é a vez de Cariacica. Os trabalhadores da Serra votarão na quarta-feira (26) e os de Vila Velha no dia (27).
As eleições são resultado de uma intervenção do Ministério Público Estadual (MPES) destinada a acabar com os problemas existentes entre o Sindirodoviarios, representante estadual da categoria, e os sindicatos representantes regionais como o Sintrocavi (Cariacica e Viana) e o Sindserra.
A atitude do MPES não foi bem vista pelo presidente da Central Única dos Trabalhadores do Estado (CUT-ES), José Carlos Pigatti. Ele considerou a intervenção antidemocrática.
Pigatti disse que o MPES poderia esperar as eleições de cada sindicato regional para saber se a chapa vencedora seria a favor ou contra a unificação sindical.
E a CUT, para Bastos, é a favor do desmembramento sindical. O presidente do Sindrodoviários gostaria até de perguntar ao ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, que visita a capital capixaba nesta quarta-feira (19), se ele é a favor das eleições para se decidir qual sindicato representará a categoria.
Bastos alegou que, por ser um cutista, o ministro do Trabalho deve ser contra a medida. Mas o presidente da CUT-ES argumentou que Marinho não tem competência para decidir questões sindicais.
Pigatti também revelou que a CUT não é a favor ou contra o desmembramento sindical. Para ele, a vontade do trabalhador tem de ser soberana. Ou seja, se existem os sindicatos regionais é porque tem rodoviários insatisfeitos com a atuação do Sindirodoviarios.
O presidente da CUT-ES deu exemplo do Estado de São Paulo, que tem mais de 80 sindicatos de rodoviários, mas que conseguem negociar com os patrões sem as rixas existentes por aqui.
|