Volta e meia uma liderança política sai de um encontro com o governador impressionado com a posição dele contra a reeleição, inclusive a sua própria reeleição, muito embora fora do palácio Anchieta não haja quem acredite na hipótese de ele não ser candidato à reeleição.
Mas os que conversam com ele saem realmente impressionados. Ele explana muito bem o que chama de fadiga de poder. Acha que ninguém escapa dela. Fernando Henrique Cardoso não escapou, pelo contrário, esborrachou-se todo, e prevê que não escapará. É evidente que os seus argumentos vão muito além da fadiga de poder.
Em contrapartida, a forma com que conduziu o governo, criando um vazio político depois dele (tirando as atuais tentativas oposicionistas de Sérgio Vidigal e Cláudio Vereza), o que surgiu neste vazio capaz de compensar a vontade popular em reelegê-lo?
Daí encontrar-se em formação uma campanha queremista em favor de sua reeleição. Dizer que essa situação política do Espírito Santo, com esse seu caráter de excepcional, é espontânea, não é mesmo. Não há como fugir de que ela não tenha sido criado pelo próprio governador em proveito exatamente de sua reeleição.
Basta rever a energia que ele gastou nesses seus três anos de governo, para anular algumas dezenas de políticos, colocar sob suspeita outros tantos, e inibir inúmeros para um confronto com ele. Fez com talento político, audácia e determinação. Depois de promover uma verdadeira varrição na classe política, ele não tem outro caminho que não seja o da sua reeleição. Como diz um aliado seu, ele é prisioneiro da sua reeleição.
Quem pariu Mateus que o embale. É o caso do governador Paulo Hartung, que não terá mais quatro anos de governo com a folga que teve nesse primeiro. Vêm aí outros meninos, tipo Neto Barros, chutando o pau da barraca. Ah, vêm! E um novo governo para ele significa comparar com o seu atual, de boa marca junto à população. Não será como o primeiro, que foi comparado a um outro que acabou o seu período totalmente desgastado.
Vem aí também uma verdadeira bomba atômica, principalmente quando se diz que o governo está de caixa cheio: precatórios. Não há royaltie de petróleo que dê conta dele. O governador sabe disso tanto quanto o seu secretário da Fazenda, José Teófilo. O futuro do Estado aos precatórios pertence.
Quem assiste ao drama do governador há de se convencer, como já foi dito em algumas oportunidades semelhantes, que o poder é realmente um altar de flores e efêmero como os amores passageiros.
Fragmentos
1 - O prefeito vidigalista da Serra, Audifax Barcelos, tomou-se de coragem e partiu para fustigar o governo do Estado, puxando confronto em cima da área vulnerável do governo que é a segurança. Só que pegou pela frente um secretário de Segurança que, diferentemente do anterior, Rodney Miranda, parte para o confronto na hora - e sabe duelar - que é Evaldo Martinelli.
2 - Com essa do Audifax, que também está na mídia contra a forma encontrada pelo governo para distribuir os royalties de petróleo, o PDT já tem o Neto Barros atacando o governo na Assembléia. São os primeiros ensaios oposicionistas vindos do lado da candidatura de Sérgio Vidigal para o governo do Estado.
3 - Quando é que Vidigal vai entrar no embalo oposicionista? É possível que isso não venha a ocorrer, principalmente agora que ele se chegou ao vereador Luciano Rezende, presidente regional do PPS, e que está pregando uma maneira nova de fazer política. A de entregar à sociedade civil organizada a tarefa de discutir um plano de governo.
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