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Foto: Divulgação
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| Na montagem, Zélia aparece ao lado dos irmãos que ressuscitam o Mutantes. Foto do fotolog Faketown
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De volta. Campeão Carioca no centenário da competição, nada mal. Mas vamos ao que interessa.
Os Mutantes voltaram, ou voltarão, ou voltariam se Rita Lee topasse correr o risco de reeditar o grupo. Já diziam que a história só se repete como farsa, talvez Rita apenas esteja fazendo um grande favor a todos que esperam esse utópico "retorno", o de respeitar o seu valoroso passado deixando-o quieto.
Mas ainda assim há flores no caminho, após diversas cogitações, até óbvias como a
adorável Fernanda Takai do Pato Fu, Zélia Duncan, com a benção da amiga e parceira Rita, assumirá o posto de vocalista no show - uma homenagem à Tropicália - marcado para o dia 22 de maio em Londres e provavelmente nos seguintes (Nova York e Los Angeles) também.
Zélia está numa fase áurea, colhendo frutos do que plantou com talento, trabalho e ousadia para arriscar. Fã declarada de Rita Lee em todas as fases de sua carreira tem tudo para se divertir bastante nesse projeto. Não acredito que com isso ela esteja dando um passo à frente ou atrás. Numa visão muito particular, diria que Zélia é a vanguarda que respeita - e resgata - raízes e dá passos largos e vibrantes em direção ao que está por vir. Por isso tenho a certeza de que resultado será bom e surpreendente a começar pelas diferenças vocais e de estilos. Graças à internet podemos aguardar ansiosamente para pelo menos ouvir o resultado em breve.
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No último feriado comecei a tirar poeira de uns cds dos Paralamas do Sucesso. Ouvi quase tudo - na minha opinião, praticamente inflexível nesse caso, os dois trabalhos irretocáveis são "Severino" (1994) e "Os Grãos" (1991) - e resolvi registrar uma constatação "adormecida" pela já incorporada ausência do vinil em nossas vidas. O disco "Bora-Bora" (1988) traz um dos melhores "lado B" da música nacional. São faixas como "Uns Dias" (Eu chorava de amor/ E não porque sofria/ Mas você chegou já era dia/ E não tava sozinha), "Quase Um Segundo" (Quais são as cores/ E as coisas pra te prender?) e "Dois Elefantes" (Alguém te viu rindo, eu tava longe/ Um elefante pra lá, outro pra cá) que têm todos os contornos da agonia de Herbert após a separação de Paula Toller e outras mais reflexivas e introspectivas como "Três" (Outra noite, outro dia/ A chuva nem precisava parar/ Se fosse morna já me bastaria) ou "Fundo do Coração" (Nada me espanta/ Sou quase feliz/ Eu sempre pergunto/ Você nunca diz/ Se é assim o amor/ Sempre por um triz). Uma obra prima atrás da outra. A bela atmosfera tensa e por vezes, delicadamente, sombria ainda se encerra no contra ponto sensacional do reggae "The Can" que faz uma alusão divertida à "personagem" do verão daquele ano, conhecido até hoje como o "Verão da Lata". Tentem ouvir.
Para quem não lembra, ou não conhece a história, em 1987, tripulantes do iate "Solano Star" ao serem informados que a Marinha e a Polícia Federal iriam interceptar o barco por terem conhecimento da carga de maconha armazenada nos porões, despejaram 20 mil latas no litoral do Rio de Janeiro. Cada lata tinha 1,5 quilos de maconha de altíssima qualidade prensada com glicose e mel, sentiram o "drama"? Do total de latas apenas 2500 foram apreendidas, o resto vocês podem imaginar onde foi parar. Ah, e para variar todos os tripulantes fugiram do país e apenas o cozinheiro permaneceu preso.
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