Quem come eucalipto?




Se o governo Lula continuar errando em sua política ambiental, como vem fazendo desde que assumiu, não será por falta de aviso. Sobre a mesa do presidente da República acumulam-se denúncias de abusos, que vão do desmatamento criminoso ao plantio descontrolado de eucaliptos.

Este último tema acaba de ser abordado em carta aberta enviada a Lula e vários de seus auxiliares diretos. Enumera os danos ambientais, sociais e econômicos produzidos pelos plantios de eucalipto e pinus, entre outras espécies exóticas.

A carta tem 83 assinaturas de entidades e pessoas. Entre as primeiras, a Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase/ES) e a Rede Alerta Contra o Deserto Verde.

A Rede Alerta procura desmistificar o que a Aracruz Celulose propagandeou sobre o protesto das mulheres da Via Campesina, ocorrido no dia 8 de março no Rio Grande do Sul. A empresa vem tentando dar caráter de vandalismo a um protesto legítimo de quem não tem terra para produzir alimentos. As mulheres ocuparam um viveiro de mudas de eucalipto da Aracruz Celulose e destruíram as plantas.

Em meio ao ato de protesto, elas indagavam: "Quem come eucalipto?" E defendiam o uso da terra para plantio de comida para o povo brasileiro, especialmente para as camadas mais desassistidas da população.

Desde do início do governo Lula - denuncia a Rede Alerta - assiste-se ao desenvolvimento de uma política oficial de apoio explícito ao setor de plantações de eucalipto, sobretudo para celulose, dando continuidade, e até com mais ênfase, à política do governo Fernando Henrique Cardoso, considerada de traição ao povo brasileiro.

Palavras da direção da entidade: "O governo Lula tem mostrado uma enorme falta de consideração com as várias denúncias apresentadas por parte da Rede Alerta desde o início de 2003 sobre os graves impactos da monocultura de eucalipto no país. E isso tem levado a uma grande revolta, principalmente entre os movimentos sociais".

A carta aberta foi encaminhada com cópias para a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ao ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, ao presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ao secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente (MMA), João Paulo Ribeiro Capobianco, e ao diretor do Programa Nacional de Florestas, Tasso Rezende de Azevedo.

Trata-se de um texto que aborda a questão ambiental de maneira simples e direta, focando sua crítica na ocupação de terras agricultáveis por imensos eucaliptais, país afora. Vale a pena ler.

Diz o ditado que errar é humano. E nós acrescentamos: persistir no erro é insano.