Vitória (ES), edição de 24 de abril de 2006

CPI dos Correios nega nova
denúncia contra Nilton Baiano



Renata Oliveira
Foto capa: Bernardo Coutinho


O nome do deputado federal Nilton Baiano (PP) não está em nenhuma lista nova da CPI dos Correios. Um ofício do relator da CPI, Osmar Serraglio, garante que não houve qualquer encaminhamento ao Ministério Público e à Polícia Federal de lista contendo indícios para investigar mais cinco deputados, que poderiam ter recebido recursos do chamado valerioduto.

Segundo Nilton Baiano, o documento do relator foi divulgado em resposta a um ofício enviado por ele ao relator para que informasse se realmente o nome dele estava em uma nova relação de acusados. O relator negou e disse que a notícia, divulgada pela Reuters, não tem fundamento.

O deputado capixaba disse que ficou surpreso com a nova denúncia. Reafirmou que não há sentido nas acusações, pois nunca votou favoravelmente ao governo. "Sempre votei contra o governo, por isso não há sentido em dizer que recebi dinheiro de mensalão", disse.

Quanto à repercussão das acusações nas eleições deste ano, Nilton Baiano disse que está tranqüilo. Acredita que as acusações têm o objetivo de desestabilizá-lo, mas que seu eleitorado conhece sua índole. "É claro que uma notícia dessas causa um impacto inicial, mas depois que eu provar que não tenho nada a ver com essas denúncias, tenho certeza que isso não vai influir no voto do meu eleitorado".

A denúncia publicada pela Reuters descreve uma seqüência de 97 saques que ultrapassam o valor de R$ 7,3 milhões, realizados na agência do Banco Rural em Brasília, de contas de empresas e pessoas físicas ligadas a Marcos Valério de Souza, principalmente a SMPB, em 2003 e 2004.

A lista também cita, com valores menores, funcionários ligados aos deputados Nilton Bahiano (PP-ES), João Mendes (PSB-RJ) e Benedito de Lira (PP-SE). O documento associa ainda mais um saque (R$ 30 mil) ao ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) e outro (R$ 100 mil) ao deputado Wanderval Santos (PL-SP), ambos absolvidos em processos por quebra de decoro parlamentar. Nos dois casos, a associação é feita pela presença de funcionários ligados aos deputados, na agência, no dia dos saques.