Vitória (ES), edição de 24 de abril de 2006

Gerente da Fertilizantes Heringer
intimida funcionários sindicalistas



Luciano Coelho
Foto capa: Arquivo Sinticel


A situação dos funcionários da Fertilizantes Heringer vinculados ao Sindicato dos Trabalhadores em Celulose e Fertilizantes (Sinticel/foto) está a cada dia pior. O gerente Evandro Bujanski mandou 15 funcionários embora, no último dia 11. Além disso, há descaso com os problemas de saúde dos empregados, expostos à periculosidade e à insalubridade, de acordo com o Sinticel.

Um dos diretores do Sinticel, José Márcio Gomes, disse que a filiação ao sindicato, que era de 73 funcionários, caiu para 53. O motivo são as ameaças de Bujanski, que inclusive proíbe os sindicalistas de entrarem na empresa para colocar informativos. Márcio informou que o gerente já deixou claro que quem mantiver os movimentos sindicais "não vai ter futuro com ele na Heringer".

O mais recente ato de autoritarismo do gerente aconteceu nessa quarta-feira (19). "Um funcionário que está com as duas pernas quebradas pediu à empresa que o buscasse em casa, porque ele não tinha condições de ir trabalhar. Bujanski impediu que fossem pegar o empregado", argumentou Márcio.

A linha dura segue até quando a saúde entra em questão. O diretor do Sinticel revelou que quem procura médicos fora do plano conveniado com a empresa também corre o risco do desemprego. Ele explicou que um problema de saúde comum aos trabalhadores da Heringer é leucopenia, que enfraquece o sistema de defesa do orgnismo. Mas que a empresa já mandou embora um funcionário que tivera diagnosticada a doença com uma médica de fora do plano da empresa.

No entanto, o diagnóstico do médico da Samp, plano de saúde da Heringer, mostrou que não havia problemas com o empregado em questão. Com isso, o funcionário foi mandado embora, sem que a empresa tivesse problemas na Justiça.

E isso acontece quase sempre que algum empregado é demitido por questões de saúde, lembrou Márcio.

Além da leucopenia, associada aos fertilizantes e a outros produtos químicos bastante nocivos, com os quais os empregados têm contato, há também uma outra questão de periculosidade. O maquinário, o local de trabalho e até o nitrato, cuja utilização precisa ser avalizada pelo Exército, representam extremo perigo aos funcionários. "Só Deus sabe o que pode acontecer com a gente", lamentou Márcio, que retorna ao trabalho no próximo mês. Ele estava de licença e espera poder entrar na empresa para trabalhar, já que foi proibido de entrar para divulgar informes do Sinticel.

De acordo com Márcio, adicionais de periculosidade e de insalubridade não fazem parte do vencimento dos funcionários. Ele ainda disse que já foram feitas perícias na Heringer. E que ficou constado que o local é salubre para se trabalhar. O diretor do sindicato informou que a perícia foi feita a pedido da empresa.

Apesar disso, não é apenas o trabalho diário que expõe os funcionários. A hora da refeição também é um problema. No início do mês de março, este Século Diário fez uma outra denúncia do Sinticel, relacionada à alimentação.

Polcas, parafusos, pregos, palha de aço e até lesma já foram encontrados no almoço ou na janta do refeitório da Fertilizantes Heringer, em Viana. A denúncia partiu de funcionários da empresa e do sindicato.

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    (reportagem publicada em 06/03/2006)