Vitória (ES), edição de 17 de abril de 2006    
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Duke Ellington essencial



Felicia Borges




  
Foto: Divulgação
  
Nascido em 1899, Duke Ellington veio ao mundo um ano antes da data que os historiadores afirmam como o nascimento do jazz, estilo que o consagraria. Nesta quinta-feira (27), às 18h, o Centro de Línguas da Ufes abre a exposição "Duke Ellington" sobre a vida e a obra do jazzman americano.

O nome de nascimento era Edward Kennedy Ellington e o apelido Duke ele recebeu de um amigo de infância, por sua maneira pomposa de se vestir. Duke era filho de um casal pertencente à classe média negra. Seu pai era mordomo na Casa Branca e sua mãe o mimava ao extremo.

Aos sete anos começou a estudar piano incentivado pela mãe, mas não demonstrou grande interesse pelo instrumento até os treze, quando conheceu, em uma viagem a Atlantic City, o pianista Harvey Brooks, que lhe mostrou atalhos e ensinou alguns "truques".

Antes do piano, sua grande paixão era o baseball. Para poder ver seus ídolos, ele arrumou um emprego de vendedor de amendoim nos estádios, seu primeiro trabalho antes da música tomar conta de sua vida. Em Washington, dois pianistas, Oliver "Doc" Peri e Louis Brown, tiveram grande importância na formação musical do bandleader, ensinando o jovem Duke a ler partituras e ajudando-o a aprimorar a técnica.

Em 1917 formou o grupo "The Duke's Serenaders", que posteriormente mudou o nome para "The Washingtonians", com músicas dançantes e de baile. Foi nessa época que começou a carreira de líder de banda. Cinco anos depois foi para Nova Iorque, onde entrou em contato com sons novos. Passou a ouvir os pianistas de stride do Harlem, assim como o som melodioso e swingado de Sidney Bechet e Louis Armstrong.

Seu nome tornou-se conhecido nacionalmente graças às emissões de rádio quando tocava no Cotton Club. Entre os grandes nomes que tocaram com ele e deram à banda sua identidade estão Ben Webster, Jimmy Blanton, Cootie Williams, Bubber Miley, Harry Carney e Johnny Hodges.

Quando abandonou o Cotton Club, em 1931, era uma das maiores estrelas negras da América. No livro "Além das categorias - a vida e o gênio de Duke Ellington", Edward Hasse, conta que só nessa época do Cotton Club foram cerca de 200 discos gravados.

De volta da viagem de turnê pala Europa e excursionando pelos Estados Unidos, em 1939, Ellington conheceu em Pittsburgh o prodígio do piano Billy Strayhorn. Apesar de características completamente opostas, Strayhorn seria seu colaborador musical por toda a vida.

Sempre gostou de fazer música experimental, em busca de novas sonoridades. Frequentemente compunha de forma similar à música clássica, como em "Black", "Brown and Beige" (1943), e "Such Sweet Thunder" (1957), baseado em Shakespeare.

Também compôs para filmes, como "Black and Tan Fantasy" (1929), "Anatomy of a Murder" (1959), com participação de James Stewart, em que Ellington apareceu como líder de orquestra, e "Paris Blues" (1961).

Ellington foi compositor de jazz, pianista e líder de orquestra eternizado com a alcunha "The Duke" e distinguido com a condecoração americana Presidential Medal of Freedom, em 1969, e com a condecoração francesa Legião de Honra, em 1973, distinções as mais elevadas que um civil pode receber. Duke foi ainda o primeiro músico de jazz a entrar para a Academia Real de Música de Estocolmo, e foi ´honoris causa` nas mais importantes universidades do mundo.

  
Foto: Divulgação
  
Duke Ellington redefiniu a forma, harmonia e melodia da música americana, escrevendo mais de duas mil composições até sua morte em 1974. A música dele foi uma das maiores influências no jazz desde a década de 1920 até a de 1960 e ainda hoje as suas obras têm uma influência apreciável.

Em 1997, um grande memorial a Duke Ellington, criado pelo escultor Robert Graham, foi construído no Central Park, em Nova Iorque. Em Washington D.C., onde nasceu, existe uma escola dedicada à sua honra e memória a The Duke Ellington School of the Arts.

Serviço

A exposição "Duke Ellington", vai ser aberta nesta quinta-feira (27), às 18h, no Centro de Línguas da Ufes, com palestra do professor de música da Ufes e maestro Sérgio Álvares e apresentação do grupo JazzUfes.

Clique aqui e leia mais sobre Duke Ellington e outros gigantes do jazz

Clique aqui e visite o site oficial de Duke Ellington


 

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