Vitória (ES), edição de 19 de abril de 2006    
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Da Redação



  
Foto: Foto Revista Quase
  
O diretor Juliano Enrico
Um dos produtores da revista Quase é o vencedor capixaba da terceira edição do DocTV. Juliano Enrico Marques receberá R$100 mil para custear a produção do documentário "Touro Moreno" em homenagem ao mais antigo lutador de boxe do Espírito Santo.

Juliano Enrico conheceu o homem que vem a ser o centro do seu projeto durante procuras por um ringue de boxe que viria a animar uma festa promovida pela revista Quase. De aparência humilde, Touro Moreno, nascido Edgard Câmara Florentino, está hoje com 67 anos e ainda se dedica ao boxe.

O vídeo terá duração de 52 minutos e será exibido pela TV Cultura.

Os projetos "Casamento Pomerano", de Jorge Jacob, e "Mulheres na Fronteira", de Sáskia Sá ficaram, respectivamente, em segundo e terceiro lugares.

Touro Moreno por Renato Paoliello, colunista de esporte do Século Diário

"O ícone do pugilismo capixaba tem duas passagens que os mais antigos lembram com saudosismo. A surra que ele deu em Waldemar Santana, outra lenda da luta livre brasileira, em um verdadeiro show de sangue no ginásio Wilson Freitas, em 1968, ficou marcada na memória de quem gosta de um combate com técnica e violência. Quem viu garante que em Vitória ainda não teve embate melhor.

O outro episódio também merece um parágrafo inteiro. Touro, com toda astúcia de quem foi criado na zona do baixo meretrício, indiscutivelmente foi o mais famoso "leão de chácara" da antiga zona de Carapeba. E, no dever do cumprimento deste duro oficio, no início dos anos 70, ele teve que enfrentar a tapa meia dúzia de marinheiros bêbados. Os fuzileiros navais que bagunçavam a boate da Dinorah apanharam tanto, que fugiram deixando o jipe oficial nas ruas de São Sebastião, atualmente Novo Horizonte, na Serra. Indignado, no dia seguinte, o comandante enviou um caminhão lotado de marrecos armados até os dentes com a missão de buscar a viatura e vingar os colegas. Metralharam a casa de Touro, fizeram um memorável quebra-quebra na zona e durante os 40 dias em que ficou preso no quartel em Vila Velha foi brutalmente torturado. O seu crime foi um só, o de ser bom de porrada.

Hoje, Touro Moreno toca sozinho e modestamente um empreendimento esportivo que é a própria realização do seu sonho maior. Ele prepara o filho, Yamaguch, um negro esguio com nome de japonês, para brilhar nos ringues como profissional do boxe. Fazer da cria um varão nocauteador será o último assalto da luta mais importante da vida sofrida do velho Touro. Como todos os bons de porrada, também apanhou muito."


 

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