Nova ameaça para o sul





Ubervalter Coimbra


Ambientalista do sul do Espírito Santo manda correio eletrônico transcrevendo informação do jornal Valor Econômico.

Segundo trecho da notícia "a gigante anglo-australiana BHP Billiton, que divide com a Vale o controle da Samarco (dona do porto e de duas pelotizadoras de ferro no local), está decidida a não assistir passivamente a expansão da sócia e concorrente na área e já trabalha em um projeto para um centro distribuidor de carvão no local, o qual inclui a construção de uma coqueria".

Tubarão II, ou o Pólo do Cação, seja qual for o título para as instalações do complexo industrial anunciado pela transnacional Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) para o Ubu, na divisa do município de Anchieta com Guarapari, no sul capixaba, agregará, portanto, mais problemas aos moradores e ao desenvolvimento local sustentável. Esta é a ameaça!

A transnacional BHP Billiton, com suas instalações de carvão e coque em Ubu, quer consolidar sua posição de maior fornecedora de carvão para as usinas de aço no Brasil. Sabe que terá espaço físico na área, onde cabem vários projetos.

No local, a Petrobras também deverá construir sua base de exploração e
produção de petróleo e gás no Estado. A produção capixaba passará a aproximadamente 300 mil barris diários, em 2007, saindo dos 40 mil barris de petróleo por dia, em 2005, com o que o Espírito Santo será o segundo produtor de óleo do país.

E ainda não se descarta para o município de Anchieta, precisamente para Jabaquara, a instalação de uma refinaria de petróleo de um grupo transnacional árabe.

A CVRD anuncia para Ubu um complexo industrial e portuário pelo menos igual ao de Tubarão, em Vitória. A empresa já é sócia das três usinas de pelotização de minério de ferro na Samarco, e seu megaprojeto prevê no total oito pelotizadoras. Além de uma siderúrgica que produzirá até 4,5 milhões de toneladas/ano, uma usina termelétrica. Tudo isso exige a ampliação do porto de Ubu e a implantação da ferrovia litorânea sul, que começa em maio, como anunciado.

Tubarão II ou Cação, como se queira chamar, transformará o sul capixaba no que é a Grande Vitória, onde as três principais poluidoras do ar - as transnacionais CVRD e a Arcelor Brasil - CST e Belgo - lançam, só no ar, 264 toneladas/dia (96.360 toneladas/ano) de poluentes. Poluentes que custam o olho da cara para a população em tratamento de saúde: de R$ 3,7 a R$ 4,4 bilhões, ao longo da história das empresas. Há 35 anos instalavam a CVRD, e há mais de duas décadas, a CST.

O correio enviado ao colunista é mais um alerta de que o fim do turismo, a vocação da região, está cada vez próximo do fim no sul capixaba.

Os que têm compreensão das conseqüências dos riscos de projetos industrias tão grandes sabem que o ar ficará irrespirável na região. E que durante sua instalação, haverá aumento da violência, da prostituição, do desemprego.

Como já se alertou, a hora é de conhecimento, reflexão e ação.

Não dá para aceitar, passivamente, a destruição do sul capixaba, somente para atender aos interesses do capital transnacional.

Nós, capixabas e os que escolheram nossa terra para viver e produzir, não merecemos isso!