Sem condições de resistir a dois ônibus e duas viaturas de oficias da tropa de choque da Polícia Militar, as 200 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais (MST) deixaram a fazenda Agril Agropecuária, em Vila do Riacho, que a Aracruz Celulose diz ser proprietária, na tarde desta sexta-feira (28). A polícia chegou ao local às 12h, com a liminar de reintegração de posse à empresa, expedida pelo juiz da 2° Vara Cível da Comarca de Aracruz.
Segundo Edivaldo dos Santos, do MST, a situação na fazenda ficou tensa, mas não houve agressão entre as partes. "Nós abrimos o portão pra tropa de choque, não tinha mais o que fazer. Foi uma covardia típica deste governo, que permite à Aracruz Celulose continuar em suas terras", destacou.
Edivaldo, que falou a este Século Diário enquanto desarmava as barracas do acampamento, lembrou que antes da Polícia Militar, é necessário, por se tratar de uma questão social, haver uma tentativa de conciliação entre as parte, o que não ocorreu.
Os integrantes do MST compararam a ação à reintegração de posse em favor da multinacional, em relação às terras indígenas, onde também foram ignorados os procedimentos de negociação antes do envio da Polícia Federal, que deixou duas aldeias destruídas e índios feridos.
Os trabalhadores rurais vão agora voltar para a área da prefeitura de Aracruz, onde estavam acampados antes da ocupação que durou três dias.
Essa foi a segunda ocupação feita na área pelo MST. Na primeira, feita em 26 de setembro de 2005, durou 30 dias, e o governo do Estado, através do secretário de Agricultura, Ricardo Ferraço, se comprometeu a vistoriar a área e verificar se a fazenda é ou não formada por áreas devolutas. Mas depois de sete meses, nenhuma providência foi tomada, o que gerou a ocupação desta semana.
"Com certeza essa terra é devoluta, até o Incra já reconheceu essa probabilidade que, pra nós, é certeza. Agora vem a polícia e tira todos daqui. Estão ignorando nossos direitos, não quiseram nos escutar, não quiseram nem se reunir conosco, e agora já mandam a polícia", disse.
A fazenda Agril Agropecuária, em Vila do Riacho, tem 8.980 hectares e, destes, apenas 3.700 hectares foram registrados no Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra) pela empresa. Assim, o MST afirma que o restante da área é, de fato, formado por áreas devolutas.
Os sem terras alertam que as terras devolutas pertencem ao Estado e, por isso, devem ter destinação social - para plantios de alimentos - e não ser utilizada para plantios de eucalipto.
Segundo a assessoria do Incra, o órgão está aguardando um posicionamento do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf), que deverá confirmar se a terra é devoluta. O órgão afirmou ainda que esse posicionamento vem sendo aguardado desde a primeira ocupação, em setembro do ano passado.
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