Vitória (ES), edição de fim de semana
 
Só com segundo turno Sérgio Vidigal tem chance de vitória
'Hartung aparelhou o governo para ganhar a eleição'





Cristina Moura


("Muito ganha quem aprende quando perde".
Ditado italiano)

Nosso entrevistado desta semana é um personagem ainda pouco conhecido na Grande Vitória. Ex-vereador de Baixo Guandu, Neto Barros começou sua vida política aos 15 anos de idade, como militante do PCdoB. Há mais de um ano, filiou-se ao PDT e ficou na suplência para deputado estadual.

Na soma das legendas, entrou na Assembléia Legislativa após a morte do deputado Edson Vargas. É no PDT que Barros ganha uma nova oportunidade, a tribuna, para combater o governo do Estado. A conversa parecia difícil, mas até uma 'pegadinha' o deputado arriscou contar.

Ele acredita que a entrada do PT na disputa indica o segundo turno. Nesse possível trajeto, o ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal teria grande chance de derrotar o projeto de reeleição do governador Paulo Hartung. Participaram da conversa os jornalistas Rogério Medeiros e Cristina Moura.

Século Diário: - O senhor fez uma viagem, ao sair do PCdoB e entrar no mundo conservador. Como é que o senhor está se situando politicamente dentro do PDT?

  
Foto: Riokan
  
Neto Barros: - Olha, a saída do PCdoB foi motivada por questões regionais. Depois da eleição de vereador, quando fui o mais votado na minha região, na minha cidade. Não consegui me reeleger por causa da coligação. Isso foi lá atrás, em 2005. Lá onde foi minha saída do partido. Quer dizer, antes de eu entrar na Assembléia eu já estava no PDT. Foi uma escolha válida para a bancada, para entrar na Assembléia. Eu já estava no partido há quase um ano.

- Foi mudança estratégica?

- O PDT, na minha opinião, era a única força capaz de enfrentar a situação, o governo atual. Eu tinha que recompor as minhas bases no município, e o PCdoB não tinha condições para isso por ser um partido pequeno e etc. E eu olhei para o PDT como uma alternativa viável. Viável para enfrentar o governo.

- Sua postura, de oposição ao governo Paulo Hartung, foi levada em conta na decisão de escolher o PDT?

- Sim, de enfrentamento, não é?

- Como é que o senhor avalia o PDT nessas eleições? O partido conta com um candidato a governador. Quais são as perspectivas?

- Bom, dois pontos. Primeiro, a minha entrada na Assembléia, pela bancada do PDT, no nosso ponto de vista fortaleceu a bancada. Nós conseguimos agregar mais e o único problema que tem é o problema político do José Esmeraldo. Ele é um político conceituado e que tem entrada no governo. A gente entende isso. Temos uma bancada de cinco que tem quatro combatendo o governo. Este é o primeiro ponto. Então, acho que contribuí entrando e agindo como agi. Vidigal é candidato a governador. Vidigal tem um lado administrativo voltado para o social, área que o Estado está carente hoje. Ao mesmo tempo, ele é uma pessoa que não tem problema de conversar com o setor empresarial, com o setor produtivo. Ele não é uma pessoa mal vista por esse meio. Creio eu. Se ele andar pelo interior, se apresentar e mostrar o trabalho que ele fez na Serra, que é exemplar... Ele tem condições de se colocar em condições de enfrentar o governador. O governador é favorito? É favorito, até por causa da questão que ele criou. No início do governo, depois do governo José Inácio, que foi ruim, ele chamou até a oposição, os partidos, a sociedade em geral, a Igreja, para compor com ele o governo... Na minha opinião, uma grande balela!... Ele queria mesmo era fugir do enfrentamento e isso ele faz até hoje. O governador era muito bom para querer intervenção no Estado, queria fiscalizar, denunciar, quando era parlamentar. Hoje, no governo, parece que ele nunca teve uma vida parlamentar. Não aceita o debate. Foge dele e tenta destruir quem se coloca para enfrentá-lo.

- O governador passou três anos, praticamente, sem oposição. É justo que a oposição apareça agora, num período eleitoral, para mexer com a imagem dele? Não seria difícil?

- É difícil, mas não vamos fugir desse enfrentamento. Ele baqueou o Estado. Ele tem uma estrutura de propaganda e marketing político eleitoral muito forte. Aliás, ele fez campanha eleitoral desde o início do governo. Ele aparelhou as pastas mais importantes do Estado para fazer campanha eleitoral: Educação, Agricultura, Saúde. Bom, saúde? Deu n'água. Mas Agricultura e Educação, desde o início aparelhados para a campanha eleitoral, sem fazer política de Estado. Botar um secretário de Agricultura que fica pinçando em cada município uma 'maquinazinha'? E fazer disso um palanque, inaugurando, entregando e tal, para a campanha eleitoral. Isso é para a campanha eleitoral.

- Mas vocês vão enfrentar uma imagem muito bem construída no Estado. E há, por parte de Vidigal, uma certa timidez. Ele lida com o plano de se apresentar como um bom gestor, mas ele não é um homem de combate. A previsão, hoje, é que o interior feche disparado com Paulo Hartung. Como é que vocês vão enfrentar isso?

- O interior fecha com ele, onde os prefeitos são de primeiro mandato. Obviamente, os sem experiência... O governador pensou. Ele é bom nisso, não é? Ele é um encantador de serpentes. Os prefeitos onde ele conseguiu investir. Ele tem o mapa político do Estado. Meu município, por exemplo, só tem 22 mil eleitores, mas comparecem lá 19, 20 mil... Ele não fez nada. Investiu em Colatina, cooptou o prefeito, que na época era do partido dele, PSB. Em Linhares, ele conseguiu agradar gregos e troianos. Guerino fechou com ele e José Carlos Elias. Cachoeiro não sei como fica, o prefeito é outro. Enfim, é difícil enfrentá-lo? É, mas o governador não é esse poço de moralidade que ele sempre prega, não. Tem o rastro do Pagotto... Há pouco eu fiz uma denúncia que ele agora ganhou uma licitação, para contratar com a Cesan, numa empresa criada por ele, com a mulher dele e com a filha de dez anos... Ele não quer discutir isso.

- O senhor está chegando numa hora em que essas questões suas levantadas na Assembléia chegaram tardiamente.

- Então, o que queremos frisar? O governador errou eticamente.

- Quem vai combater isso?

  
Foto: Riokan
  
- Nós do PDT, espero que os do PT...

- Quem tem alcance é Vidigal, mas...

- Nós vamos tentar. Eu acho que ele vai entrar no clima da eleição. Só está esperando essa fase pré-eleitoral passar. Então, nós vamos escolher entre o governador 'almofadinha', que sabe mexer com números, é economista, mas que é pobre o governo dele na área social. Não investiu em segurança, não investiu em saúde... A questão ambiental nem se fala... Ele entregou o Estado.

- Alguns setores da imprensa capixaba dizem que o senhor chegou na Assembléia de 'pára-quedas', que entrou 'de repente' etc. Poucos se propõem a contar a sua história política, que não é tão recente. Qual foi o impacto que o senhor sofreu ao chegar no Legislativo nesse clima pré-eleitoral?

- Impacto político ou pessoal?