Porém, a estréia mundial em Vitória tem outros motivos. Entenda-se o conceito do Genesis. O projeto educacional será implantado de forma piloto em 100 escolas da rede pública da Grande Vitória. Se os resultados forem satisfatórios, as empresas patrocinadoras irão levar os objetivos para outras escolas do mundo. A iniciativa é global.
O sonho de Salgado de fazer com que suas fotos de povos primitivos e de naturezas intocáveis virem consciência ambiental por parte de alunos que muitas vezes estudam em precárias condições esbarra nas raízes do projeto.
Foto: Ricardo Medeiros
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A CST/Arcelor é o principal grupo patrocinador do Genesis. Durante a coletiva, caiu no colo dos entrevistados a pergunta que não queria calar. Qual o investimento total? Olhares atravessados. Salgado responde alguma coisa, fala da importância do projeto. Passa a vez para o presidente da CST/Arcelor. José Armando enrola mais um pouco e cria um desconforto nos jornalistas. Em seguida, com o microfone nas mãos, o representante da Unesco desvia o foco da pergunta em sua reposta ambígua. Nenhum dos presentes tem a coragem de revelar as cifras totais.
Como a ambição do Genesis é planetária, os muitos zeros ecoam pelo projeto. Prova disso é a exposição em cartaz em Vitória. Possivelmente, a cidade nunca recebeu uma mostra fotográfica deste porte, com a exibição em altíssima qualidade de dezenas de fotos do mais importante fotógrafo do mundo, mesmo sendo este um dos menos inspirados trabalhos de Salgado. Tendo como tema a natureza quase virgem, os ângulos se repetem, o lúdico sai das mãos do fotógrafo e repousa unicamente nas ações dos animais presentes na composição.
Muitos apontam os antigos trabalhos realizados por Salgado entre os mineradores de Serra Pelada (PA) como um dos mais inspirados já realizados por um fotógrafo. Nos enquadramentos, os trabalhadores aparecem sujos de lama, contaminados pela mineração e expostos a doenças diversas. É como se o homem estivesse numa cadeia primitiva de sobrevivência, sem nenhuma condição moderna de qualidade de vida e trabalho.
Foto: Ricardo Medeiros
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Hoje, o tom mudou. Patrocinado por uma das maiores mineradoras do mundo, Salgado parece esquecer a degradação ambiental causada por empresas que ele mesmo denunciou em diversos momentos em suas fotos. Em Genesis, o retrato é de uma rara natureza intocada, bem longe das áreas reflorestadas por empresas poluidoras que vêem nessas ações contrapartidas e responsabilidade social para seus negócios.
Em Gênesis, Salgado apresenta a natureza virgem e animais exóticos distantes do desenvolvimento industrial. O mineiro/capixaba/francês deixa de lado o choque causado pela degradação ambiental e aposta na poesia complacente da natureza perfeita.
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