Vitória (ES), edição de 01 de agosto de 2006    
     Capa       Agendas       Cinema         Dicas de CD       Exposições       Rapidinhas       Arquivo       Expediente         Fale Conosco
"As pessoas têm a arquitetura que merecem" II
ou
o porquê!



Heraldo Ferreira
Atualizado toda quinta-feira, às 16 horas


Já comentei, en passant, nesta coluna que "as pessoas têm a arquitetura que merecem"...

Retomo esta questão hoje pois com a excitação do mercado imobiliário por causa das possíveis reduções dos índices construtivos pretendidas pelo novo PDU em análise na Câmara Municipal, diariamente passo por várias obras de edifícios residenciais multifamiliares que se proliferam pela Praia do Canto e posso notar que, apesar da imagem que algumas construtoras buscam impor a si mesmas e às suas obras, a realidade é bem diferente.

Reparem na publicidade estampada nos tapumes das obras, aqueles estrangeirismos dos nomes, aquela "modernidade" alardeada por causa dos materiais ditos "nobres", como granito e vidro, eco-isso, neo-aquilo, etc. Olhem para a obra, para os seus funcionários, para a sujeira e os entulhos que diariamente saem delas, naquelas caçambas que ficam "estacionadas" em frente. Os processos construtivos largamente difundidos entre nossos construtores remontam da Idade Média. As relações trabalhistas favorecem a exploração e a obtenção da mais-valia para o empresário sobre o salário dos trabalhadores.

Segundo Marx o trabalho repetitivo, alienado produzia a mais valia. A solução para isso seria investimento na pesquisa e no desenvolvimento de novas tecnologias associadas à industrialização da construção civil. Entretanto isto não interessa aos empresários, pois o lucro real seria muito menor. Então estas iniciativas ficam restritas às instituições de ensino superior. O subdesenvolvimento só é vencido pela aplicação da mais alta tecnologia disponível, contudo isto não vende, nem dá voto.

Vivemos numa fábula, infantilizados e alienados, pois quando compramos um imóvel dito "moderno" ou "novo", na verdade, nada mais velho e arcaico do que os nossos edifícios e casas. E é nesse ponto que eu quero chegar para dizer que nossa atual realidade, ao ver os canteiros de obras pude ter certeza que ali, realmente, vão morar típicos capixabas. Porque com raras exceções não passamos de cascas antiquadas, retrógradas revestidas por um falso brilho e frescor de modernidade.

Provando que nas terras do Espírito Santo "ser" vale muito pouco, o que importa mesmo é o "parecer".


Clique aqui e acesse o arquivo com as colunas de Arquitetura & Urbanismo

E-mails para o colunista: acolunadoarquiteto@hotmail.com


 

Leia Também:
    
Agendas
Turismo e Cultura do ES

Século Diário
Notícias do dia

Veículos
Novidades sobre o mundo automobilístico