Onde a barra vai pesar





Rogério Medeiros

Brasília - Os deputados e senadores, que chegaram nesta terça-feira (1) a Brasília, consideram ainda bastante mornas as eleições, a ponto de o deputado e presidente regional do PMDB, Marcelino Fraga, comentar que nunca viu uma busca de votos tão devagar. "Esquisita", diz Marcelino, "parece até que não há eleição."

Mas nem por isso a conversa deixou de girar em torno da eleição, como se eles estivessem recusando a mulher que vão querer levar, mais tarde, para a cama. Imagem apropriada à parte, pelo que se ouviu deles, todos em busca de reeleição, a polêmica candidatura do megaempresário Camilo Cola a deputado federal, por exemplo, não os ameaça.

Eles acham que eleição de deputado federal, tirando os chamados votos de opinião, nos quais Camilo não concorre, a eleição se passa numa relação estreita entre os candidatos e as fontes de votos. Entre os quais se encontram prefeitos e lideranças. É com recursos federais e relações de amizade que vem o voto. Enfim, voto, no dizer deles, se faz mesmo com envolvimento: com cabo eleitoral.

Camilo não entra por ai. O temor, no entanto, vem do seu poder econômico, que ele pode colocar na conquista dos votos. Nesse caso, vai ter bronca se essa grana realmente aparecer. No passado, já se vão 24 anos, última eleição que ele disputou para o Senado, os gastos foram extraordinários, como na primeira, muito embora não tenha ganhado nenhuma das duas eleições.

Também não atribuem ao governador Paulo Hartung a manobra para a entrada do Camilo no chapão governista de deputado federal. Simplesmente, como é hábíto do governador, ele não joga no varejo, mas somente no atacado, e a entrada do Camilo é uma jogada de varejo.

Os candidatos do interior, grande parte dos atuais deputados federais se elegem por lá, acham que o campo está mais livre e que a grande disputa, onde a coisa vai realmente apertar, vai ser na Grande Vitória. Nela, vão disputar os votos Luiz Paulo Vellozo Lucas, Suely Vidigal, Luciano Rezende, Aloyzio Santos, Lelo Coimbra, Sebastão Bailarini, Rita Camata, Iriny Lopes, Carlos Manato e Dudé. A barra vai pesar por aí. É esperar para ver, pois a conquista de uma cadeira de deputado federal não vai ser fácil.

Fragmentos
1 - Embora o seu nome esteja na lista de candidatos a deputado federal pelo PSDB, o senador João Batista Motta não vai disputar essa eleição. Vai retirar-se da vida pública, depois de dois mandatos de prefeito da Serra, um de deputado federal e a metade do mandato de Paulo Hartung no Senado.

2 - Marcelino está se preparando para dar o troco ao grupo do prefeito de Colatina, Guerino Balestrassi, do PSB, que preparou um um dossiê contra ele, envolvendo-o no escândalo das ambulâncias. Ele descobriu que a prefeitura de Colatina também levou um ônibus para a saúde, vindo da mesma fonte que gerou o escândalo sanguessuga.

3 - No lançamento da candidatura a deputado federal de Marcus Vicente, em Ibiraçu, onde comapareceram 1.500 pessoas, vindas de 27 municípios, o governador Paulo Hartung esteve presente e rasgou elogios a Vicente, dizendo, entre outras coisas, que a bancada federal tinha agora um coordenador agregador e da confiança do governo. Ressaltou o desempenho de Marcus na construção do novo aeroporto de Vitória.