Enquanto o mercado de carros novos vai de vento em popa, o de carros usados vai mal das pernas. Ele teve queda de 8% no primeiro semestre de 2006, com relação ao mesmo período de 2005, e perdeu espaço para a venda de carros novos, que projeta crescimento de 25% para 2006. Apesar do baixo desempenho, o setor espera se recuperar e fechar o ano com 12% de alta.
Os carros populares (motor 1.0) semi-novos continuam sendo os mais procurados entre os usados. Em primeiro lugar está o Celta, que é seguido pelo Pálio e o Gol. Entre os médios há procura pelo Pálio Weekend, Corsa Sedan, Astra e Golf. Também são procurados carros luxuosos como Corolla, Honda Civic e Vectra. Esse movimento é contrário ao mercado de novos, onde os populares representam apenas 41,4% das vendas.
Apesar de os carros bicombustíveis representarem 76,09% dos carros novos, entre os usados eles ainda não são muito procurados, já que o preço do álcool não está muito convidativo.
O presidente da Associação dos Revendedores Independentes de Veículos do Espírito Santo (Arives), Paulo Cesar Martinelli Sepulcri, está otimista, apesar do baixo desempenho do primeiro semestre. Ele informou que a expectativa do setor é que a partir de agosto as vendas tenham aumento de 5% ao mês, recuperando as perdas anteriores, resultando em crescimento na média de 12% ao final do ano.
"Normalmente o segundo semestre tem aquecimento de vendas e esperamos que o mercado reaja. A queda começou a partir de abril e a Copa do Mundo ajudou muito nesse movimento. Agora as compras adiadas devem acontecer", previu o presidente.
O crescimento da massa salarial e da atividade econômica gerada por uma série de investimentos feitos no Estado e da estabilidade promovida pelo governo federal e pelos poderes locais não parece ter se refletido no mercado de usados como ocorreu no de novos.
O consumidor que mais procura este tipo de veículo é o pertencente à classe C, seguido pelo das classes B e B+. As condições de preços e financiamentos são os maiores atrativos, já que 80% dos carros são vendidos com pelo menos uma parte de seu valor financiado em até 72 vezes nas mais de 300 concessionárias de usados espalhadas pelo Estado.
Para alavancar as vendas, a Arive tem promovido feirões que oferecem várias opções de veículos, financiamento e preços. A última edição, realizada em maio, em Vila Velha, vendeu mais de 250 carros em 3 dias, mais de 50% dos veículos oferecidos. Ainda em agosto um novo feirão será realizado, provavelmente no Pavilhão de Eventos de Carapina.
Quanto à concorrência com o mercado de veículos novos, Sepulcri disse que muitas vezes o carro zero possui condições de preço vindas de fábrica semelhantes às dos semi-novos e acaba se tornando um concorrente do mercado de usados.
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(reportagem publicada em 14/07/2006)
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