Os índios Tupinikim e Guarani do Estado comemoraram a construção da quarta fábrica da Aracruz Celulose fora do Espírito Santo. Ao contrário do que foi divulgado pela transnacional, em matéria com o presidente da empresa, Carlos Aguiar, publicada na edição de domingo do jornal A Gazeta, os índios lembram que isso é um enorme ganho para os capixabas, e não um prejuízo.
"Mais uma fábrica significaria mais eucalipto, mais pressão sobre as comunidades, mais desemprego e mais êxodo rural. Sem ela, os capixabas ganham com a preservação da mata e de seus rios, podem manter seus empregos no campo e nós podemos continuar contando com o que resta da natureza para manter nossa cultura", ressaltou o cacique da aldeia de Caieras Velha, Jaguareté.
Para ele, o Estado também nada perde com a não construção da quarta fábrica da transnacional. "Eles lamentam não construir aqui? Esses investimentos que eles falam que o Estado está perdendo são pra eles mesmos, eles não revertem para as comunidades do entorno, para a população. Nós estamos ganhando com isso e não perdendo", disse.
Na matéria, o presidente da empresa aponta o conflito com os indígenas como um dos principais motivos da construção da quarta fábrica no Sul do País. Para os índios, a empresa está tentando mais uma vez colocar a população contra suas comunidades. "O índio no Brasil é visto como um atraso ao desenvolvimento e aqui essa mentalidade é incentivada pela Aracruz, para que a população continue com o mesmo pensamento", frisou.
Neste contexto, na abertura da reportagem foi informado de que o Espírito Santo perdeu a quarta fábrica da empresa, um investimento superior a US$ 1,3 bilhão, para o Rio Grande do Sul, por força dessa ação contra a Aracruz Celulose no Estado.
Os índios lembram que a empresa já trouxe e ainda traz inúmeros prejuízos aos capixabas, como o uso e a poluição de suas águas, o êxodo rural, a destruição da mata atlântica e o uso ilegal de terras indígenas e quilombolas.
A Aracruz Celulose conta com o apoio do governo do Estado e também do governo federal, que empresta à empresa o que ela pede. Com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e a juros de até 2% ao ano, como foi o caso do último empréstimo, mesmo se tratando de uma empresa acusada de infringir os direitos humanos.
Assim, os índios lembram que a empresa age em diversos setores e criticam a tentativa da transnacional de manipular a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), através do protocolo de intenções entre as partes, que segundo eles, se trata de mais uma jogada para marginalizar as comunidades tradicionais e evitar que pesquisas que comprovam o uso de terras tradicionais pela empresa sejam feitas pela universidade.
Os índios lutam contra a empresa que tomou 40 mil hectares de suas terras. Destas, o governo federal reconhece que são indígenas 18.070 hectares. E a empresa ainda tem eucaliptais em 11.009 hectares. Inconformados com a demora na demarcação de suas terras pelo governo federal, os próprios índios demarcaram suas terras e agora aguardam a demarcação oficial.
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