Em tempos de campanha eleitoral, um tema volta à tona no movimento sindical, a partidarização de lideranças trabalhistas. Além de desviar o foco de atuação dos sindicatos, esses sindicalistas acabam prejudicando as categorias que deveriam defender.
A CUT, que reúne a maior parte dos sindicatos, apesar de ser pluripartidária, tem em seus quadros lideranças que apoiaram nesses quatros últimos anos a atuação do governo Lula. E que provavelmente vão apoiá-lo na campanha e, se ele for eleito, em seu próximo mandato.
Com o início da disputa eleitoral, o candidato de oposição, o tucano Geraldo Alckmin, buscou o apoio de outras centrais para formar uma frente de oposição. Transformou, assim, a as centrais em nichos partidários em vez de centrais sindicais.
No meio dessa disputa puramente politiqueira, está o trabalhador, que tem sua esperança nas centrais. Estas têm a responsabilidade da representação das categorias trabalhistas, mas nesse período, pelo menos, estão voltadas para outro foco e perdendo sua autonomia.
Independentemente de quem ganhe a eleição, como é que a central derrotada vai cobrar benefícios para os trabalhadores de um presidente para quem trabalhou contra na eleição? Vai dificultar o diálogo entre governo e trabalhadores.
Justiça seja feita, a CUT esteve nesses quatro anos em movimentos de cobrança ao presidente de benefícios aos trabalhadores. Talvez por conta desse pluripartidarismo que a caracteriza.
Um alerta aos trabalhadores: dirigentes que hoje buscam essa politicagem devem sofrer as conseqüências em suas candidaturas, não só nas eleições do sindicato, pois muitas lideranças estão concorrendo a cargos públicos nesta eleição. Mas quando estão em suas funções não as exercem com eficiência.
Por isso a gente vê muitos dirigentes sindicais em cargos públicos e, na em hora que ocupam os cargos, esquecem dos trabalhadores, que o colocaram naquela condição na esperança de ver seus interesses defendidos de forma mais ampla.
Não quero dizer com isso que o governador ou o prefeito tenham que fazer uma política voltada apenas para a luta sindical, mas ele pode e deve ao longo de sua gestão criar formas de atender também aos interesses dos trabalhadores.
Somente o trabalhador tem condição de corrigir essa distorção, porque é ele quem vota para todos os cargos.
O segredo é acompanhar a vida sindical da liderança-candidata. Se ele teve no sindicato um bom desempenho, pode se transformar em um bom parlamentar ou executivo. Mas, se praticou no sindicato o mesmo tipo de politicagem que se vê por aí, dificilmente será um bom representante do povo.
Abra o olho, trabalhador!
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