A linha editorial de Século Diário não tem curvas ou atalhos: é firme, reta e direta na direção de objetos claros e bem definidos. Defende o bem comum, de forma intransigente e persistente, assumindo posição crítica contra os que agridem o meio ambiente e perseguem, com o uso do poder econômico e até da força bruta, comunidades desassistidas pacíficas e indefesas.
É uma conduta que não comporta dogmas, pois estes só conduzem ao sectarismo e ao atraso. Deste espaço mesmo temos apontado erros e desvios de conduta por conta desse mal que acomete, principalmente, algumas lideranças políticas em nosso Estado, as quais, sob a capa de teorias ideológicas - ultrapassadas ou mal assimiladas - vêm se mostrando perniciosas à boa e saudável convivência democrática.
Mas é na questão ambiental que se trava nossa mais dura e muitas vezes incompreendida batalha. Temos notado, nesse particular, que alguns vêem em nossa postura um tipo de radicalismo cego, pois - alegam os porta-vozes dessa visão distorcida dos fatos - não estaria nos permitindo enxergar o que de positivo se faz no setor em favor da preservação ambiental, seja por parte dos orgnismos oficiais ou das empresas.
Esta é uma crítica que não procede. Pensamos que, em alguns casos, ela se origina da forma massificada com que as empresas poluidoras e seus parceiros do poder público divulgam fatos de seu interesse, contando com vastos espaços cedidos pela generosidade dos veículos convencionais de informação.
É muito sintomático dessa verdadeira lavagem cerebral, por exemplo, a cobertura que se deu ao anúncio da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) de que investirá R$ 221 milhões no controle da poluição do ar nos próximos três anos, buscando com isso habilitar-se a receber licença ambiental para construir sua oitava usina na Grande Vitória (veja matéria nesta edição).
Isso não faz sentido, porque a empresa tem deixado de cumprir numerosas condicionantes ambientais, inadimplência que a impede de pleitear ao poder público licença para qualquer expansão de sua produção.
É o que defende Freddy Montenegro Guimarães, presidente da mais antiga ONG ambiental do Estado, a Associação Capixaba de Proteção ao Meio Ambiente (Acapema). Não há como discordar dele.
Nesta quinta-feira (3) a CVRD anunciou que investirá R$ 2 milhões no aumento do cinturão verde no entorno de suas usinas de Tubarão, buscando reduzir o arrasto das partículas de minério pelo vento. E também que gastará R$ 630 mil para instalação de uma rede de monitoramento da poeira preta, como são conhecidas as partículas sedimentáveis e de maior tamanho que a empresa lança no ar. A rede deste tipo que existia foi desativada pela Seama, atual Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), em 2002.
Que faça o que está prometendo. E que, em última análise, é sua obrigação e não um favor prestado à população. Mas que isso não lhe dê credencial para poluir ainda mais o ar da Grande Vitória com essa oitava usina. Para cogitar desse tipo de concessão, ela tem que quitar o enorme passivo ambiental a descoberto que tem com a sociedade capixaba.
Quanto a isso não há o que discutir ou contra-argumentar. Deve, tem que pagar.
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