
A minha relação de amizade com o velho Rio Doce já dura 47 anos. Neste domingo de inverno e de vento sul, aproveitei a companhia dos filhos e amigos para descer de caiaque 20 quilômetros rio abaixo, relembrando o passado e fortalecendo a convicção de que o relacionamento do homem com a natureza tem que ser obrigatoriamente marcado pelo forte vínculo de carinho e respeito.
A prova de respeito com o velho Rio Doce foi testada na 4ª Descida Ecológica, uma regata turística/ecológica anual que reúne mais 300 ambientalistas e atletas, que foi corretamente interrompida na metade do percurso pelo Corpo de Bombeiros em virtude das péssimas condições climáticas. Mesmo em estado crítico, o velho rio, que tem fama de manso, ainda reage com força suficiente para virar barcos e até surpreender os incautos remadores.
Toda vez que volto ao leito do meu velho amigo, fico perplexo, sentido a dor do rio mais antigo do continente sul-americano, com mais de 2 bilhões de anos, agonizando em sua foz, na Vila de Regência, no norte do Estado. O meu sentimento, mesmo modesto, é de gratidão por muito que já recebi destas águas. Só eu sei.
A Descida Ecológica promovida pela ONG Alma do Rio, presidida pelo engenheiro Paulo Randow, é uma prova sincera de muitas pessoas que gozam também de um relacionamento de amizade com o velho Rio Doce. Isto eu vi de perto. Gente de todas as idades, homens, mulheres e crianças respeitam e amam o rio com uma naturalidade exemplar. Este ano levei Matheus e Renatinho, meus filhos que foram apresentados ao rio e sentiram na pele a força de suas águas agitas.
O passeio começa na Ponte de Linhares e passa pelos muitos canos de esgoto, grandes fazendas de cacau e revela os diversos bancos de areia do rio assoreado até a alma. Na frente do caiaque, Matheus, de 10 anos, já estava identificando de longe os locais impróprios para navegação. Assim, quase que em ziguezague fomos remando com força e determinação, contando histórias e sentindo tristeza de saber que o Rio Doce já foi navegável e importante para a nossa economia. Ainda é, já que a bacia abriga o maior o complexo siderúrgico da América latina, com a Belgo Mineira, Acesita e Usiminas, além da mineradora internacional Vale do Rio Doce. Continua importante, só deixou de ser navegável.
O passeio de domingo foi interessante e exigiu uma boa dose de perseverança. Ao acordar percebi que o tempo tinha virado, mas como já estava marcado com o meu parceiro Eustáquio Palhares, encaramos o desafio e pegamos estrada, mesmo com o frio e o vento sul castigando. Mas não estávamos sozinhos, mais de duas centenas de remadores, que vieram de diversos municípios, entraram na água com remo, cara e coragem. Foi uma aventura empolgante.
Mas as adversidades foram muitas. A turma do apoio com diversas lanchas teve muito trabalho para resgatar, rebocar e esquentar os náufragos. Vi de perto, bem pertinho, um caiaque duplo, com mãe e filha, virar nas águas geladas e escuras do velho rio. As duas passaram um aperto, mas foram salvas pelo Corpo de Bombeiros de Linhares, que merece os aplausos. Primeiro pelo prestativo trabalho de salvar vidas e também por cancelar o passeio na metade do percurso como uma medida preventiva de bom senso.
A iniciativa da ONG Alma do Rio visa à conscientização do patrimônio natural que representa o Rio Doce e sua importância para o Espírito Santo com as comunidades que cresceram as suas margens desde o século XIX. Assim, o esporte e a ecologia vêm andando juntos, trilhando um mesmo caminho em busca de qualidade de vida, mostrando para quem quer perceber que a história pode continuar, ou ser transformada, para o bem dos nossos filhos e netos.
Cruzeiro
O Iate Clube do Espírito Santo recebe nesta quarta-feira, 42 veleiros que participam do Cruzeiro Costa Leste 2006, formado por brasileiros, argentinos e ingleses e dois Trawlers de apoio.
Trata-se de um cruzeiro ao longo da Costa Leste do Brasil, promovido pelo capitão de flotilha, François Moreau, com extensão aproximada de 850 milhas, divididas em várias etapas. A rota é bastante conhecida e atraente e nessa época do ano, clima ameno e ventos favoráveis reúnem as melhores condições para a viagem. Excepcional oportunidade de velejar em grupo, privilegiando a segurança e o companheirismo.
Em Vitória, uma parada obrigatória, os velejadores serão homenageados com grande festa na Praia do Canto.
Sávio
Após dez anos longe da Gávea, Sávio volta a jogar pelo clube que o revelou no próximo sábado, contra o Goiás. Embora ainda esteja oficializada, haverá uma programação especial para receber o craque capixaba.
A estréia do novo uniforme está garantida. O modelo será apresentado nesta semana e causou polêmica por causa do detalhe em azul em uma de suas mangas.
Além disso, a diretoria planeja a entrega de faixas da Copa do Brasil. Provavelmente, a taça da competição será levada ao estádio. Kleber Leite já deu a sugestão para que camisas autografadas por Sávio sejam sorteadas entre os torcedores.
Fábio Luiz
O capixaba Fábio Luiz e o cearense Márcio conquistaram o Grand Slam da França, a 10ª etapa do Circuito Mundial de Vôlei de Praia. Na finalíssima, em Paris, na arena do Campo de Marte, os campeões brasileiros derrotaram os norte-americanos Jacob Gibb e Sean Rosenthal por 2 a 0 (21/11 e 21/17).
Foi o quarto título da dupla em 2006 e o terceiro consecutivo em seis finais seguidas. Na decisão do bronze, os campeões olímpicos Ricardo e Emanuel bateram os alemães Julius Brink e Christoph Dieckmann por 2 sets a 1, parciais de 21/14, 27/29 e 16/14.
Já vi o filme
O alemão Michael Schumacher aproveitou a comemoração após a vitória em Hockenheim, palco do GP da Alemanha, para dar os parabéns ao companheiro de equipe Felipe Massa.
O brasileiro fechou a prova atrás do alemão e foi o único a manter praticamente o mesmo ritmo do supercampeão da F1 durante toda a corrida. Com isso, ajudou Schumacher a se aproximar ainda mais do espanhol Fernando Alonso e a Ferrari de sua maior rival, a Renault.
Este filme é velho.
Fogo
A torcida do Grêmio é quente. O Beira-Rio, literalmente, pegou fogo no domingo. Mas foi a Brigada Militar, na base do cassetete, que apagou o fogo dos esquentados gaúchos.
Foi um vexame que queima a imagem do futebol brasileiro.

"O caminho da sabedoria é não ter medo de errar".
Trocatroca com a coluna:
rmpaoliello@uol.com.br
| |