As piadas existem desde que o homem aprendeu a falar, e sobrevivem porque se adaptam aos novos meios de comunicação. Quem não gosta de fugir por alguns minutos da seriedade dos problemas diários e rir um pouco? Populares em qualquer ambiente e transmitidas de todas as formas imagináveis, elas chegaram com tudo na Internet, onde ganharam até concurso.
Mas quem são os autores das piadas da Internet? Diz um ditado que filho feio não tem pai, e piada, para ser boa mesmo, tem que ser feia. Milhões delas vagam na rede, numa transmissão em cadeia ininterrupta, mas o nome do autor nunca aparece. E tem muita gente para quem fazer piadas é um meio de vida. Uma glória inglória, na verdade.
Não é nada engraçada a vida do comediante profissional, o que ganha o pão de cada dia fazendo os outros rirem. Ele ou ela fica horas, talvez dias, bolando "aquela piada" engraçadíssima que vai fazer sua platéia estourar de rir, condição sine qua non para ser considerado um piadista sério.
Nem toda piada consegue alcançar o efeito desejado, que é fazer rir, mas aqui e ali surgem algumas obras primas, pérolas de comicidade que não serão esquecidas. O comediante tem a duvidosa honra de apresentar sua obra prima ao mundo, sabendo que, dali por diante, ela cria asas e voa por conta própria - já não lhe pertence. Cai na rede.
Os ouvintes dão gargalhadas, descontraem, aliviam o estresse e vão para casa mais leves e mais felizes, porque tiveram a chance de desopilar o fígado e esquecer seus problemas, graças a uma boa piada. No dia seguinte a piada é repetida para os amigos no escritório. Os amigos vão rir também e passá-la para outros amigos...
Ninguém se lembra de citar o autor da obra prima. Um desses amigos sem muito que fazer vai para o computador e joga a piada na rede, e ali ela navega no mar das piadas anônimas, lidas e repassadas para outras pessoas, sofrendo modificações e alterações de acordo com a necessidade e a criatividade de cada um.
Algumas morrem, perdem atualidade, cansam. Outras se perpetuam, seguem conquistando novas risadas e novos adeptos, acabam no concurso das melhores piadas de Internet, onde uma delas sairá vencedora. Para quem vai o prêmio, o crédito, a honraria? Não existe, porque piada de Internet nasce por osmose, não tem pai.
Ninguém aparece acusando a Internet de plágio. Plágio, aliás, é coisa para as grandes obras, romances gordos, filmes de fartas bilheterias. Piada é obra sem pedigree. Copiadas, adaptadas, modificadas, elas mudam tanto que nem seus autores as reconhecem quando deparam com uma delas em seus e-mails, mandada por um amigo gentil: "Leia essa, talvez te dê idéias para o próximo programa".
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