Foto: Ricardo Medeiros
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| André Nogueira usou microfones da mídia para dizer ao filho que é inocente
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"Nós vamos nos reunir para saber o que fazer". Esta foi a reação da advogada Elizangela Leite Melo ao saber da prisão de seu cliente José Carlos Gratz, na manhã desta sexta-feira (4), por um grupo de policiais federais do Estado e do Rio de Janeiro, cumprindo mandado de prisão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2). Com o ex-presidente da Assembléia Legislativa foi detido o ex-diretor da Casa André Nogueira. A acusação que pesa contra os dois é de peculato e formação de quadrilha.
Eles estariam envolvidos num esquema de venda de sentenças. O processo é o mesmo que investiga o juiz federal Macário Júdice (que está respondendo em liberdade) e o advogado tributarista Beline Sales Ramos, preso na custódia da Polícia Federal, em São Torquato, Vila Velha, sob acusação de sonegação fiscal e formação de quadrilha. Já Gratz reagiu com estranheza à prisão. "Nunca em nenhum dia de minha vida tive contato com Macário", alegou ele, já algemado, diante de fotógrafos, cinegrafistas e jornalistas.
Foto: Ricardo Medeiros
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| Gratz, já algemado, disse que nunca teve contato com o juiz Macário
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Logo depois ele foi colocado em uma dos dois camburões que seguiram para o aeroporto de Vitória. Sem falar sobre a insatisfação de estar preso ou se tinha alguma relação com Macário ou Beline, Nogueira disse: "A Justiça irá se pronunciar sobre isso, né?". E em seguida: "Depois de tanta injustiça, agora mais uma. Meu filho, seu pai é inocente, tá?", falou Nogueira, dirigindo-se ao filho por meio dos microfones da mídia.
Nenhum dos familiares dos acusados estava na Superintendência Regional da PF. Os dois foram embarcados com dstino ao Rio, separadamente, em vôos comerciais, no período da tarde.
Foto: Ricardo Medeiros
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| Advogada de Gratz, Elisangela Melo, vai estudar o caso para poder agir
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As prisões aconteceram por volta das 6 horas, quando oito agentes federais capixabas, mais dois policiais e dois delegados fluminenses, cumpriram as decisões judiciais nas residências dos acusados, ambas localizadas na Praia do Canto, em Vitória.
A imprensa não teve acesso à decisão que embasou o decreto de prisão, mas a informação é de que ela explica a participação de Gratz e Nogueira no esquema de fraudes. O processo tramita em segredo de Justiça.
Os dois presos só tiveram tempo de pegar roupas e remédios. Eles estavam livres há 171 dias, beneficiados por um recurso contra a condenação no escândalo do superfaturamento do seguro predial da Assembléia. Gratz e Nogueira foram condenados a 15 anos de prisão.
No início deste ano, a dupla foi beneficiada por um hábeas-corpus, após a defesa obter ganho na questão que discutiu a constitucionalidade da sentença, que não permitia que fossem condenados.
Os dois delegados e agentes do Rio chegaram ao Estado na noite desta quinta-feira (3) para cumprir os dois mandados, expedidos no final da tarde de quarta-feira (2). Em virtude do que determina o Código de Processo Penal (CPP), o acusado só pode ser preso em casa após as 6 horas, os policiais ficaram em vigília.
Não há confirmação, mas informações extra-oficiais dão conta de que Gratz e Nogueira serão transferidos para o presídio de Bangu I. Antes disso, ao chegar ao Rio de Janeiro, eles serão encaminhados ao Ponto Zero, na zona norte da cidade. Neste local ficam presos policiais envolvidos em crimes e, em alguns casos, servidores públicos. Esse procedimento foi determinado porque a Superintendência da Polícia Federal do Rio não possui carceragem.
"Nós vamos nos reunir para saber o que fazer. Há vários instrumentos que podem ser utilizados, como o hábeas-corpus. Primeiro necessitamos de estudar o teor das acusações", explicou a advogada Elisangela Leite Melo, defensora de Gratz, acompanhada pela advogada Carla Festa, defensora de Nogueira. As duas compareceram À sede da PF para obterem cópia das mais de 50 páginas dos mandados de prisão.
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