Rende muito ainda o apoio declarado do deputado estadual Rudinho de Souza (PSDB) ao candidato ao Senado Max Mauro. Rende pela origem política do apoiador: filho de arquiinimigo de Max, o presidente do Tribunal de Contas, Valci Ferreira. Provoca as mais diversas leituras, por ser uma atitude política incomum, pois são inconciliáveis as relações entre o pai de Rudinho e o ex-governador.
No entanto, ela está sendo possível de ocorrer diante de uma situação política inusitada no Estado, com o governador Paulo Hartung governando, praticamente, com poderes excepcionais. Em nome da necessidade de recolocar o Estado nos trilhos da moralidade, ele conseguiu, em pleno regime democrático, escorado na Justiça, no Ministério Público, na Assembléia, Igreja, OAB e grandes empresas, criar um Estado de exceção.
Resultou na blindagem do seu governo e na inexistência da oposição, com a classe política em absoluto regime de subalternidade. Tanto que, dos políticos em atividade, nenhum deles se propôs a instalar ou sequer ser oposição. E aí, quando um personagem como o ex-governador Max Mauro volta a campo, com o seu espírito guerreiro, com a camisa da oposição, a arquibancada enche para aplaudi-lo.
O Rudinho não vai, portanto, votar no Max pela sua boa plataforma eleitoral. Mas pela necessidade que a política do Espírito Santo tem em contar com alguém com coragem suficiente para exercer o papel de opositor ao governador Paulo Hartung. Vamos ter, portanto, muitos Rudinhos nesta eleição contribuindo para surgir uma oposição para se contrapor aos poderes excepcionais do governador Paulo Hartung, mesmo que essa oposição esteja na figura de um antigo e tenaz inimigo político.
Nesse vazio oposicionista, Max entra para dar um balanço diferente à vida política do Estado, criando uma espécie de Hezbollah na vida política do governador Paulo Hartung. Max, no Senado, vai dar vida à oposição no Espírito Santo. Nada, entretanto, que possa abalar a privilegiada condição política do governador Paulo Hartung. Tratando-se tão-somente da criação da oposição, o que não deixa de ser um fato político relevante para a democracia no Estado. No mais, é um mero vento sul batendo forte para perturbar a calma de quem, como PH, está lá no alto.
Fragmentos
1 - O ex-prefeito de Cachoeiro de Itapemirim Theodorico Ferraço, do PTB, cotado para ser o candidato mais votado para a Assembléia, vai intensificar o seu apoio ao seu vice Jathir Moreira para deputado federal. Quer com este apoio evitar que o megaempresário Camilo Cola (PMDB) pegue carona na sua candidatura no sul do Estado.
2 - Por trás dessa atitude do Ferraço encontra-se o desejo de deixar Camilo à própria sorte e por conta do atual prefeito de Cachoeiro, Roberto Valadão, contra quem ele deve disputar à prefeitura em 2008. No fundo, Ferraço vai valer-se das eleições atuais para já medir forças com Valadão, seu arquiinimigo.
3 - O prefeito da Serra, Audifax Barbosa (PDT), está sendo, na campanha eleitoral, mais duro com o governador Paulo Hartung do que o candidato do seu partido ao governo, Sérgio Vidigal. Seus discursos estão recheados de criticas ao desempenho do governador Paulo Hartung. Bem contundentes, por sinal.
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