Vitória (ES), edição de 02 de dezembro de 2006    
     Capa       Agendas       Cinema         Dicas de CD       Exposições       Rapidinhas       Arquivo       Expediente         Fale Conosco
Gêneros Audiovisuais Contemporâneos: o Take



Gabriel Menotti
Atualizado toda sexta-feira, às 16 horas


O take é um plano-seqüência de duração suficiente: sejam três segundos, sejam dez minutos, sempre é o tempo bastante daquelas imagens. Nada há que se cortar; nada precisa ser acrescentado para lhes dar razão.

Tomado como gênero, ele se caracteriza pela apurada precisão semântica. Se o filme de longa-metragem pode ser comparado ao romance, o take é como um haiku. Sua economia rítmica serve à preservação de uma densidade formal inerente à captura da realidade - proporções poderosas porque frágeis, porque à beira da carência, que a mínima modificação destruiria por completo.

Do mesmo jeito que um cristal enterrado possui simetria definitiva, o take já está pronto no material bruto de gravação. Toda edição necessária para compô-lo é anti-montagem: o trabalho de retirar impurezas do seu redor, de modo que o essencial sobressaia, mas tomando o cuidado de não cortar demais e danificá-lo no processo.

Nesse sentido, o take se dá como apreensão fugaz do mundo, verso repentino anotado em um guardanapo de bar. Trata-se de uma inspiração, porém mediada, já que se confunde com o flagrante - e se perderia para sempre, não fosse a disponibilidade de um aparelho de captura eletrônica.

Por isso, se torna pensar-em-vídeo (e não com, ou por-meio-de), processo típico de uma subjetividade ciborgue, gênero possível graças à popularização de dispositivos portáteis de videografia.

Saiba mais!

Clique aqui e acesse o Arquivo da Coluna de Cibercultura Gambiarra

E-mails para o colunista: gabriel.menotti@gmail.com

 

Leia Também:
    
Agendas
Turismo e Cultura do ES

Século Diário
Notícias do dia

Veículos
Novidades sobre o mundo automobilístico